quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ser x Ter

Faz tempo, muito tempo que o pensamento de Ser x Ter invadiu minha cabeça. Pra mim, graças a Deus, isso nunca foi um assunto conflitante. Sempre fui pró Ser. O que eu não consigo entender é como existem pessoas (e bota pessoas nisso) que esqueceram o Ser e em suas vidas só existe lugar para o Ter. É tão triste saber que a humanidade caminha muitas vezes de forma tão torta.

Quer coisa melhor que ver o pôr de sol? É de graça!

Não quero dizer aqui que sou uma total altruísta e que o Ter não faz parte da minha vida. É claro que faz. Só que tento dar um valor menor para ele e não o deixo dominar minha ações. Não vivo para ter coisas, cada vez mais coisas, comprar, consumir, me exibir, ter o último modelo, o mais caro, o mais lindo, o melhor, depois de um ano ou seis meses, jogar fora e comprar tudo de novo. Não vivo para ter uma casa linda e maravilhosa com cinco suítes num condomínio de luxo, um carro ultra mega power maravilhoso grande e caro, um iphone, um ipad, um ipod, um itudo (eu mal sei ligar meu celular - que não é um smartphone, imagina então conciliar todos esse is), um armário lotado de roupas de marcas caras. Não vivo para ir ao dermato todo mês, fazer zilhões de tratamentos estéticos, gastar toda minha energia (e dinheiro) tentando rejuvenescer sendo que eu deveria estar gastando-a para me enriquecer, espiritualmente, é claro.

Pois é, ainda bem que eu sou da turma do Ser, porque se fosse da turma do Ter eu tava ferrada. Como eu iria arranjar dinheiro para manter esse padrão de vida absurdo? Eu teria que ralar muito, mas muito mesmo. Trabalhar insanamente, 24/7, always, toujours, non-stop. (acho que nas atuais circunstâncias para manter o tal padrão acima citado eu teria que virar política, mas vamos dizer que não, pois políticos não trabalham muito, e daí a historinha a seguir ia perder a graça). Continuando... mas aí eu sairia do trabalho, pegaria meu possante de luxo com o manobrista, chegaria em casa no fim da noite pensando que eu tenho que tomar cuidado pois posso ser assaltada a qualquer minuto, iria ver meu filho (já dormindo), zapear os 500 canais da minha mega power TV, não assistir nada de tanto sono, e dormir no meu lençol de seda da minha cama extra-king para acordar no dia seguinte as 6 da manhã para recomeçar a rotina de todo dia.
Mas pera aí: e quando é que eu vou aproveitar todas as coisas lindas, modernas e maravilhosas que eu comprei? Pois é, talvez nunca. Não vai me sobrar tempo. E seu eu tiver tempo não terei disposição. E se eu tiver tempo e disposição, talvez eu tenha medo de sair na rua com as minhas jóias, então elas ficam no cofre e eu saio com as bijuterias mesmo.

Acho que eu não preciso continuar, você entendeu meu ponto de vista né. Eu enxergo a vida assim: a gente tá aqui pra viver, Ser feliz e fazer coisa legais. Na medida do possível a gente compra algumas coisas bacanas que nos proporcionam momentos agradáveis, a gente gasta uma grana com porcarias, trabalha pra pagar as contas (porque não importa o quanto você seja bicho-grilo, você sempre terá contas pra pagar), e a gente investe em si próprio. Investe em cultura, conhecimento, educação, investe construindo relações humanas, ampliando nossos horizontes, transmitindo valores positivos, ensinando, sendo ensinado, exercendo a cidadania e ajudando a construir, mesmo que com minúsculos gestos, um mundo mais sustentável, mais justo e mais feliz.

PS: Nem em um milhão de anos, mesmo trabalhando 24/7 eu conseguiria ter uma casa com cinco suítes, um mega carro, todos os mega gadgets, etc etc etc... Isso foi só um exemplo hiperbólico de como muitas pessoas fazem de tudo para "subir na vida" e se esquecem de que viver é muito mais do que usar o cartão de crédito.
PS2: Por coincidência uma amiga postou hoje em seu FB um texto que eu já havia lido há um tempo que fala justamente do alto padrão de vida buscado pela classe média brasileira. O texto compara a vida da classe média no Brasil com a da classe média européia. Acho que futuros imigrantes se identificarão com a idéia geral. Se você se interessou, leia aqui.

E para encerrar fica uma música do Vampire Weekend cuja letra diz:
"Every dollar counts
 Every morning hurts
 We mostly work to live
 Until we live to work"


Bisous!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pesquisa Qualidade de vida 2011

Saiu essa semana a pesquisa da Mercer "Worldwide Quality of Living Survey" para 2011 que traz o ranking de 221 cidades ao redor do mundo segundo sua Qualidade de vida. A primeira colocada esse ano foi novamente Viena, seguida por Zurich e Auckland. A primeira cidade canadense da lista é Vancouver com o 5° lugar, divido com a cidade de Dusseldorf. Outras cidades canadenses rankeadas são Ottawa e Toronto, respectivamente 14° e 15° lugar, Montréal, 22° (junto com Bruxelas) e Calgary com o 33° lugar no ranking. O Brasil aparece na pesquisa com três cidades: Brasília (101°), Rio de Janeiro (114°) e São Paulo (116°).


Viena: de novo a campeã
Já quanto à classificação das cidades mais seguras a campeã é Luxemburgo seguida de Berna e Helsinki. Entre as canadenses, as cinco cidades pesquisadas dividem o 17° lugar: Montréal, Toronto, Calgary, Ottawa e Vancouver, junto com Amsterdam. Nenhuma cidade americana aparece nas 50 primeiras mais seguras do ranking. Brasília é novamente a brasileira mais bem classificada neste quesito, aparecendo em 131°, à frente do Rio (172°) e de São Paulo (178°). Bagdá ocupa a última colocação no ranking, tanto em qualidade de vida quanto em nível de segurança.


Vancouver: a primeira canadense da lista
Cada cidade é avaliada de acordo com 39 critérios, incluindo fatores políticos, sociais, econômicos e ambientais, segurança pessoal e saúde, educação, transportes e outros serviços públicos.


Bisous!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Custos de utilização de um carro

Comprar ou não comprar um carro no Québec? Para alguns é questão de necessidade, para outros um conforto extra assumido e para um outro grupo uma dúvida cruel. Seja qual for a categoria na qual você se encaixa é bom ficar por dentro de todos os custos que envolvem a compra e manutenção de um automóvel no Canadá.
Descobri outro dia um guia super interessante da CAA que explica todos os custos implicados na utilização de um carro. Obviamente muitos deles são similares ao Brasil, mas é sempre bom ficar ligado nas diferenças de despesas de um país para outro. Além disso é bem útil na hora de decidir qual o melhor tipo de carro para cada pessoa (financeiramente falando) baseado em seus hábitos e no quanto ela roda por ano.

Bisous!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Viajando #5: Roma

Quando me dei conta de que iria para Roma a primeira coisa que pensei foi que finalmente conheceria a Fontana di Trevi. Sou obcecada por ela há anos. Tudo culpa do Fellini. Sendo assim, logo que cheguei, saí em sua busca. Mesmo com dois mapas eu fiquei perdida (a anta da navegação aqui achou muito difícil não se perder em Roma), mas a um certo ponto fui seguindo o barulho de água caindo (e logo em seguida uma placa salvadora indicando o caminho) e voilà: linda, majestosa, imponente, mas diferentemente dos meus sonhos, infestada de gente. Gente saindo pelo ladrão. Tirar uma foto só sua na frente da Fontana: missão impossível. Talvez você consiga lá pelas 4h00 da matina. Eu passei por ela de manhã, de tarde, de noite, e até as 2 e meia da madrugada e ainda tinha uma pá de gente jogando moedinha. Mas tudo bem, ela é tão linda que eu aceito compartilhá-la com todos. Um monte de turistas babões como eu enquadrados pela minha velha Sony Cyber-shot integrando meu álbum de fotos virtual.

Fontana di Trevi: um dos maiores símbolos de Roma

Mas obviamente nem só de Fontana di Trevi vive Roma. E não mesmo. Haja perna e tempo pra conhecer tudo o que a cidade eterna tem pra mostrar: Piazza Navona, Piazza di Spagna, Piazza Del Campidoglio, Vittoriano, Piazza Del Popolo, Piazza della Rotonda, Panteon, Foro, Colosseo, Arco di Constantino, Trastevere, via Appia, Circo Massimo, Villa Borghese, Castel Sant’Angelo, Vaticano, Basilica di San Pietro, Cappella Sistina, e outras tantas igrejas, igrejas, igrejas e mais igrejas.

Detalhe da cúpula do Panteon na Piazza della Rotonda

Dentro do Colosseo


Um dos arcos super conservados do Foro

Basilica di San Pietro: a maior igreja cristã do mundo
Eu nunca entrei em tanta igreja na minha vida. Em toda esquina há uma igreja. E mesmo as menores e mais escondidas guardam seus tesouros.  Mas não fiquei só tirando foto não, até missa dominical eu assisti. A única coisa ruim de conhecer as igrejas italianas é que depois delas qualquer outra igreja que você conheça no mundo não vai ter tanta graça. Tudo fica meio “pobrinho”.



Aliás, acho que Roma é uma dessas cidades que tem o poder de empobrecer as outras. Principalmente do ponto de vista de uma fã de história, arte e cultura como eu. Impossível se conter estando num dos berços da civilização ocidental. Impossível não viajar no tempo ao entrar no Coliseu e imaginar as batalhas sangrentas, visualizar a vida cotidiana na Idade Romana ao caminhar pelo Forum, andar pela cidade, ver uma praça e descobrir que embaixo dela há ruínas da antiguidade ainda não escavadas.

Piazza del Popolo, com o Vaticano lá no fundo


Apesar de toda a história Roma consegue encantar ainda mais pelo seu jeito alegre e gostoso de levar a vida. Você sai de uma igreja e acaba numa praça com uma fonte maravilhosa te pedindo pra ficar lá parada, olhando para ela enquanto você toma o melhor gelato de nocciola do mundo. Depois você dá mais uma voltinha e descobre mais um sítio arqueológico, fica pensando como a vida era triste naquele tempo, sem gelato, morre de inveja dos romanos nas suas vespas e fica querendo comprar uma também, senta na mesinha de pé bambo na “calçada” do restaurante, mangia uma bela pasta com vino rosso, de sobremesa um tiramissu e o famoso ristretto pra finalizar. Aí você ganha uma rosa de um desconhecido e termina sua giornata vendo os monumentos que te sorriram de dia, agora mais lindos ainda, iluminados, te desejando buona notte.

La dolce vita? La vita è bella? Sim, a vida em Roma é irresistivelmente doce e bela. Nem que seja por apenas 4 ou 5 dias.

Castel Sant'Angelo, pertinho do Vaticano, com uma super vista lá de cima

Vittoriano, também conhecido como Altar da Pátria, na Piazza Venezia

Bisous!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Você gosta de pagar imposto? Você tem um lugar em Québec!

Eu não vou mentir não, esse negócio de pagar imposto não é comigo. Não sei se porque durante toda a vida eu paguei, paguei, paguei e pouquíssimo recebi em troca, ou se mesmo o dia em que eu receber algo em troca vou continuar detestando pagar imposto. Mas nenhuma sociedade funciona sem ele, então fazer o que... a gente paga e depois cobra dos políticos!
E se você também tem um lugar em Québec assim como eu e também paga impostos assim como eu, talvez queira dar uma olhadinha nessa matéria do La Presse. Mas o resumo eu já conto pra você: O Québec ainda é o campeão dos impostos entre os países do G7, mas a boa notícia é que nos últimos 10 anos o peso total dos impostos na província caiu 2 pontos percentuais.

Livrinho que eu terei que comprar antes de abril de 2013... 

Le Québec reste champion des impôts

(Montréal) En dépit des alléchantes baisses d'impôt accordées ces 10 dernières années par les gouvernements de Québec et d'Ottawa, le Québec reste le champion des impôts les plus élevés parmi les pays membres du G7.
Voilà un des constats marquants de l'étude Une décennie de réductions fiscales... réalisée par le professeur Luc Godbout, avec deux collègues de la chaire de recherche en fiscalité et finances publiques de l'Université de Sherbrooke, Suzie St-Cerny et Michaël Robert-Angers. L'étude sera publiée dans le prochain numéro de la revue de l'Association de planification fiscale et financière (APFF).
Selon les plus récentes données fiscales (2009), les impôts sur le revenu accaparent 12,8% du produit intérieur brut (PIB) du Québec, comparativement à un poids moyen de 9,0% pour l'ensemble du G7, ou à 11,4% pour l'ensemble du Canada. Aux États-Unis, les impôts sur le revenu totalisent à peine 7,7% du PIB.
En guise de consolation, sachez que le poids de nos impôts totalisait 14,6% du PIB en 1999.
On parle donc d'une réduction fiscale en 10 ans de presque deux points de pourcentage du PIB. Un bel effort, quand même! Qui a le plus bénéficié des réductions fiscales au Québec?
De tous les contribuables québécois, selon l'équipe du prof Godbout, ce sont les familles avec jeunes enfants (moins de 6 ans et fréquentant un service de garde à contribution réduite de 7$) qui ont le plus profité des réductions fiscales accordées depuis 10 ans par les gouvernements de Québec et d'Ottawa.
Une telle conclusion donne finalement raison aux gouvernements Charest et Harper qui se vantent depuis plusieurs années de favoriser fiscalement la famille. Précisons toutefois que les diminutions d'impôts avaient été initiées au début des années 2000 par les ministres des Finances de l'époque, Paul Martin, du Parti libéral, Bernard Landry et Pauline Marois, du Parti québécois.
C'est la présence de jeunes enfants qui a permis aux familles de voir leurs finances personnelles s'améliorer grandement, et ce, grâce à aux réductions fiscales, mais, surtout, grâce aux bonifications de prestations.
Mais que les autres contribuables se rassurent, car tout le monde a gagné selon les simulations effectuées par l'équipe Godbout pour quatre types de ménage de 65 ans et moins, soit célibataire, couple sans enfant, familles biparentale et monoparentale, et ce, pour des tranches de revenus allant jusqu'à 200 000$.
L'équipe Godbout a basé son analyse sur le calcul de la charge fiscale nette des contribuables, en utilisant les impôts sur le revenu payés, les cotisations sociales prélevées et les diverses prestations gouvernementales obtenues.
Le constat par catégorie de ménages?
Le célibataire
Le taux moyen d'imposition a diminué entre 1999 et 2010 pour tous les niveaux de revenus étudiés. Les économies de charge fiscale accordées depuis 2000 progressent en chiffres absolus en fonction du revenu gagné, passant d'un minimum de 1156$ pour un revenu de 20 000$ à un maximum de 12 322$ à 200 000$ de revenu.
Le couple sans enfant
La diminution de la charge fiscale progresse en fonction du revenu de travail, passant en 2010 de 2439$ (à 20 000$ de revenu) à un attrayant montant de 15 300$ pour un revenu de 200 000$. En pourcentage, on notera que moins le revenu est élevé, plus le pourcentage de la réduction est élevé. Autrement dit, plus vous êtes pauvre, plus vous en profitez quant au pourcentage. Mais mieux vaut gagner un revenu élevé, le montant des diminutions fiscales est nettement plus élevé en valeur monétaire!
La famille avec deux enfants
La charge fiscale nette des familles avec deux enfants de moins de 6 ans a baissé de 1999 à 2010 pour tous les niveaux de revenus analysés.
Pour un revenu de 20 000$, les économies d'impôts (10 003$) réalisées en 2010 sont du même ordre que celles accordées (10 407$) à la famille gagnant 120 000$.
En valeur financière, les économies d'impôts maximales (16 853$) sont atteintes à 200 000$ de revenu familial. Et les plus faibles économies fiscales? Elles surviennent à 45 000$ de revenu, la réduction plafonnant à 6450$.
Selon l'étude de l'équipe Godbout, la hausse des prestations familiales accapare plus de la moitié de la réduction de la charge fiscale chez les familles à 75 000$ de revenu et moins. À partir de 80 000$, les réductions d'impôt prennent du poids dans la réduction de la charge fiscale.
La famille monoparentale avec un enfant
Bien entendu, le taux moyen d'imposition des familles monoparentales a lui aussi diminué entre 1999 et 2010, et ce, pour tous les niveaux de revenus étudiés.
La réduction de la charge fiscale passe de 5068$ pour un revenu de 20 000$ à 13 458$ pour un revenu de 200 000$.
La surprise? La réduction de la charge fiscale de la famille monoparentale est inférieure à celle obtenue par le couple sans enfant à partir d'un revenu familial de 160 000$.
Dernier constat. Jusqu'à quel seuil de revenu les quatre ménages analysés demeurent-ils bénéficiaires nets de l'État alors que leur revenu après impôts, cotisations et prestations gouvernementales dépasse leur revenu de travail?
Pour le célibataire, le seuil est 15 592$. Le couple sans enfant, lui, peut gagner jusqu'à 24 690$. La famille avec deux jeunes enfants de moins de 6 ans voit son seuil plafonner à 47 390$ et la famille monoparentale, à 35 825$.
Michel Girard, La Presse, 17/11/11

Bisous!