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domingo, 20 de outubro de 2013

6 meses e alguns dias

Então vamos lá tirar o pó do blog, afinal fim de semana é sempre tempo de ménage.
Muito rolou desde a última vez que escrevi. Já faz mais de seis meses que cheguei e posso dizer que no geral estou satisfeita com a vida por aqui. É lógico que sempre existem os dias ruins, mas no geral eles não chegam a 10% do meu tempo. O que mais pega é a falta das pessoas queridas que não estão aqui comigo. Tem dias que eu passo muito tempo me imaginando no Brasil, com eles, jogando conversa fora e dando risada, como costumava ser... e posso dizer que é muito difícil você acompanhar a vida dessas pessoas à distância. Dá um aperto no peito, mas passa. Outro dia quase chorei no ônibus pensando que eu tava aqui, num país tão bom, tão mais justo, mais decente, mais seguro, e minha família lá no Brasil, passando medo, insegurança, pagando caro por tudo e recebendo tão pouco em troca. Mas não tem jeito: não é todo mundo que quer sair do seu país, mesmo com todos problemas que ele tenha. Não é todo mundo que tem a vontade, a coragem, a disposição e o desprendimento necessários para largar tudo e recomeçar do zero, com mil incertezas na cabeça e muito esperança no coração. E há de se respeitar. Eu sou a exceção e tenho que lidar com isso. Para se ganhar algo é preciso perder algo. Acho que esse sentimento de solidão e tristeza que bate às vezes está muito relacionado com o fato de eu estar aqui sozinha (dããã!!!). Fiz muitos amigos e eles são demais, pessoas maravilhosas, mas é diferente de quando você volta pra casa à noite e encontra a tua família alí. Porém esse foi um dos motivos que me fez vir pra cá: começar a minha família num lugar melhor, com mais oportunidades pros meus filhos (se eu os tiver), mais liberdade, mais segurança, enfim, todo aquele bla bla bla que todo imigrante conhece.

Bom, deixando de lado um pouco o sentimentalismo, vamos ao lado prático: estou trabalhando.
Não posso dizer que foi difícil consegui-lo. Comecei a procurar emprego em meados de julho, depois do fim da francisação, mandei vários CVs, me cadastrei em alguns sites, segui algumas das orientações da conseillère d'emploi, e duas semanas depois fiz minha primeira entrevista numa agencia de recrutamento. A RH disse no final que tinha uma vaga pro meu perfil e ia me indicar. Tive que fazer umas seis provas diferentes de inglês, francês, informática e afins, e uma semana depois fiz outra entrevista pra mesma vaga, já na empresa, com o diretor da área. Eu saí de lá pensando que tinha ido bem, o que era bom, mas que a vaga não era legal, o que era ruim, pois se seu passasse eu não ia ter coragem de dizer não e continuar desempregada e acabaria trabalhando com algo muito chato que não me estimula nem um pouco. E foi o que aconteceu. E pra piorar tudo eu moro em HOMA e trabalho em Ville St-Laurent, uma hora e meia pra ir e uma e meia pra voltar, todo santo dia. Ultimamente saio de casa ainda tá escuro e quando chego, já tá escuro de novo (pelo menos a janela do meu bureau é bem grande e consigo ver o sol a tarde toda). Pra quem tava acostumada à uma caminhada de 25 minutos pra ir ao trabalho, não é facil. Meu pior pesadelo se concretizou: perder três horas da minha vida todo dia no trânsito. Mas tenho que dizer que estou acostumando. Tenho lido muito durante o trajeto e quando o livro é bom, ajuda muito. Quando bate a tristeza, o desespero, o "o que que eu to fazendo aqui?", penso que isso é passageiro. Penso que ainda no Brasil eu imaginava que meu primeiro emprego ia ser tão ruim que mal daria pra pagar o aluguel mais o supermercado. E no fim das contas foi mais fácil do que esperava. O que não significa que esteja sendo fácil. Pois não está.
Estou feliz no trabalho? Não. Mas apesar de tudo agradeço todos os dias pelo fato de ter um trabalho que paga as minhas contas e que vai me ajudar no futuro a conseguir um emprego melhor.
Ainda procuro o pote de ouro no fim do arco-íris. Uma profissão nova que me faça feliz. Mas tá nada fácil achar. Like always I will have to compromise on something... we will see.

To achando que o post tá meio depressivo, então vamos falar de coisas mais alegres:
Adoro Montréal. Adoro andar pelas ruas da cidade, ver a vida passar, ver a paisagem.
E falando em paisagem: o outono! Lindo, maravilhoso. Sempre foi minha estação favorita, mesmo no Brasil, e aqui então, nem se fala. Fico babando nas árvores coloridas, tão lindo que só estando aqui para sentir como uma coisa tão "banal" como a mudança da estação pode ser tão maravilhosa. A natureza é mesmo incrível.
Adoro as mil opções de bares e restaurantes que a cidade oferece. Cada fim de semana tenho indo num bar diferente. O objetivo é nunca repetir o bar, até conhecer um número significativo deles (acho que vai levar pelo menos um ano). Adoro as várias opções de cerveja que encontro por aqui e já até não ligo mais para o fato de ter que beber cerveja sem pastel, calabresa, mandioca frita, picanha fatiada com catupiry e afins. Acho que é porque quando se bebe Itaipava você precisa de algo que ajude a cerveja a descer. Mas quando você pode escolher uma boa cerveja, você não precisa de acompanhamentos.
Obs: na minha cidade no Brasil, 90% dos bares só serviam uma marca de cerveja. Era aquela porcaria e pronto. Saudades zero!
Adoro as mil opções de entretenimento por aqui. Sempre tem algo pra fazer. Às vezes tem tanta opção que fica difícil conciliar tudo. Cinemas, galerias, exposições, shows... Mês passado fui num show não divulgado para somente 200 pessoas do Arcade Fire (graça aos amigos que ficaram na fila por mim) - lançamento do álbum novo "Reflektors". Duas semanas depois, ia no show do Stereophonics (que amo demais), mas chegando lá tinha um aviso que o show tinha sido cancelado na última hora!. Duas semanas atrás foi a vez de Kings of Leon, de graça, na Place des Arts. Essa semana tem Franz Ferdinand (ainda to pensando se vou ou não), e ontem perdi o show da Lou Doillon (fiquei sabendo na ultima hora, não tinha mais ingresso :( !!!). Fora todos os outros concertos de artistas não tão conhecidos que rolam todos os dias em algum canto da cidade.
Adoro a localização da cidade, entre Toronto, Ottawa, Québec e os EUA. Estou louca pra por o pé na estrada e passar um fim de semana em cada canto, em cada ptt coin de la province. Há umas três semanas fui pra Mont-Orford, à convite dos amigos do Voilà Pourquoi, ver as lindas cores do outono, fazendo hiking - pela primeira vez desde que cheguei. Foi maravilhoso e voltei decidida a explorar mais os parques e as cidades do Québec. Fim de semana passado foi feriado de Ação de Graças e fui pra New York... tão fácil! Foi ótimo passear um pouco e aproveitar os precinhos mais em conta dos EUA pra comprar meu casaco de inverno e outras coisinhas mais.

Parc National du Mont-Orford


Adoro as bibliotecas de Montréal. Não tem nem muito o que comentar. Amo demais.
Estou começando a adorar bacon, manteiga de amendoim, maple, poutine e outras gordices canadenses. Fora que ultimamente só como chocolate se tiver caramelo junto. E por incrível que pareça ainda não senti falta de churrasco, bolinha de queijo, pastel, mandioca, brigadeiro, bolo de chocolate da doceria da família, do peixinho grelhado do meu almoço de quase todo dia entre outros. Às vezes bate aquela vontadinha mas nada desesperador. E depois, já fui em várias festinhas de brasileiros com guloseimas brazucas que mataram as lombrigas.
Adoro a educação das pessoas por aqui. Lógico que sempre tem os mal educados, em todo lugar né, mas no geral o povo é bem mais educado e simpático que no Brasil. Sim, simpático. No trabalho eu fico sempre besta de ver como o povo em geral é simpático, sempre se desculpando por incomodar (coisa de canadense, e eu sou exatamente assim), sempre elogiando pequenos gestos, pequenas ações... muito diferente do que eu estava acostumada. E quando preciso falar com algum service à la clientèle então? Nossa, no Brasil eu dava tudo pra não ter que ligar pra um telemarketing e aqui o povo que te atende é sempre tão mais eficiente, mais simpático, mais solícito. Não vou dizer que isso seja a regra, mas comigo 80% das vezes foi assim.
Bom, e como eu adoro passar o meu fim de semana fora de casa, vou terminando o post por aqui porque a vida não me espera e tem coisas mais interessantes do lado de fora da maison pra fazer.

Ah, e uma mensagem pros colegas que estão esperando seus processos terminarem, angustiados aí no Brasil: força, coragem. Logo termina. E a recompensa será enorme! A espera vale a pena.

Bisous!



terça-feira, 11 de junho de 2013

Deux mois au Canada!

Salut!

De volta ao blog para a comemoração dos dois meses de Canadá.
É engraçado como eu sinto que faço menos coisas (produzo menos) aqui do que no Brasil, mas mesmo assim sobra muito menos tempo. Vai entender.

Bom, após dois meses aqui continuo muito contente e satisfeita com meu novo país. Do Brasil eu só sinto falta das pessoas, por enquanto. Talvez daqui um tempo eu sinta falta da mandioca que dava no quintal de casa e é a melhor mandioca do mundo, sinta falta do bolo de brigadeiro que eu comia todo mês, do pastel de quase todo sábado e dos jogos de vôlei da Superliga que eu assistia à noite quando não tinha nada melhor pra fazer (quase sempre). Mas acho que ainda vai demorar um pouco pra essas saudades aparecerem.

Sobre a vida aqui:
Apesar da francização não estar me acrescentando muito eu sinto um progresso diário no meu francês. Converso com o povo da aula, com a coloc, com os vizinhos, com o telemarketing... acho que é a confiança que cresce dia a dia. Semana passada uma québécoise falou que meu francês era ótimo. Fiquei muito feliz, mesmo achando que ela só tava querendo ser boazinha, mas é sempre bom ouvir elogios né.
Lógico que eu não entendo 100% do que o povo fala, ainda mais se for alguém com muito sotaque ou que carrega nas gírias, mas meu franceszinho tá dando pro gasto.
Tenho feito quase tudo em francês desde que cheguei. Só falei inglês aqui duas vezes, no banco, pois achei que era um assunto muito importante e eu não saberia me virar do jeito que queria em francês. Mas isso foi logo que cheguei. Depois foi francês, francês, francês, e português, bien sûr. Muito português.
Mas o mais estranho de tudo é o sentimento que estou tendo quando ando pelo centro e só ouço inglês. Eu começo a me sentir incomodada. Nunca pensei que sentiria isso, mas eu fiquei pensando: "caramba, to em Montréal e só escuto inglês por todos os lados."
E só pra deixar claro, eu sou a favor do bilinguismo. Mas confesso que ando me irritando um pouco quando estou em um ambiente e SÓ escuto inglês. Vai entender!

Tenho conhecido muita gente bacana aqui, a maioria brasileiros, e tentado aproveitar tudo o que a cidade oferece gratuitamente. Os programas pagos estão praticamente proibidos enquanto eu não estiver trabalhando. E olha que mesmo assim falta tempo pra curtir tudo. Todo fim de semana tem sempre algo rolando em algum parque, ou na Place des Festivals ou numa rua qualquer. Ah, e durante a semana também não faltam atividades. Desde que cheguei já fui em quatro museus, tudo de graça, (três foram graças à francização e um foi na Journée des musées montréalais), já vi showzinhos de bandinhas legais na Place des Arts, no Plateau, já peguei filminhos na biblioteca, estou lendo meu quarto livro, quando o tempo ajuda vou ao parque fazer caminhadas, fico paquerando as flores dos jardins alheios, enfim, nunca faltam coisas pra fazer. E se você tiver grana então, o céu é o limite.
Essa semana começa Francofolies, depois tem Festival de Jazz de MontréalMontréal complètement cirque, e por aí vai. Junho e julho vai ser difícil achar tempo pra dormir!

E por falar em dormir preciso comprar uma cama e todo o resto. Ultimamente estou como uma freak nos sites das lojas aqui, vendo tudo o que quero comprar pra minha casinha nova, que aliás poderá receber visitas em breve. Oba! Oba! Não vejo a hora de me mudar e deixar tudo do meu jeito, num apê limpinho e sem pelos de gato voando por todos os lados.

Quanto ao emprego, confesso que ainda não estou empenhada nisso. Me sinto culpada porque deveria estar procurando emprego de verdade, mas o fato é que não to conseguindo me concentrar nisso agora. Acho que só vou conseguir me empenhar de verdade depois que a francização terminar, daqui um mês. Tive até agora duas reuniões com a conseillère d'emploi mas não to gostando muito não. Ela não me escuta. Ela cismou que eu fazia um trabalho x no Brasil e não consegue parar um minuto pra me ouvir e entender o que eu realmente fazia. Tudo tem que ser totalmente regrado. Você precisa fazer as coisas exatamente do jeito que eles querem, só que eu não funciono assim. Detesto que me digam o que fazer e como fazer se eu não concordo com o que está sendo dito, ou se não existe ao menos uma forma de diálogo entre as partes. Sei que preciso trabalhar isso porque aqui minha vida profissional será muito diferente do que era no Brasil, mas enfim. Acho que o problema está acima de tudo em mim, que ainda não sabe o que quer direito da vida, e a conseillère precisa de objetivos claros para trabalhar, o que torna este processo todo mais difícil. Mas eu já imaginava que seria assim. Preciso de foco. E depois muito empenho e alguma sorte. À suivre...

E pra terminar fiquem com algumas fotinhos desses dois meses de Canadá, mais especificamente Montréal, porque eu ainda não saí da ilha.

Le Village
Belvédère Kondiaronk du Mont-Royal
Praticando francês na rua
Basilique Notre-Dame
Poutine com pepperoni do La Banquise
Calor de mais de 30ºC

À la prochaine mes amis!
Bisous!


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Petit a petit

Olá queridos leitores,

A vida aqui anda corrida. Tão corrida que estou bem ausente da blogosfera ultimamente. Não dá tempo.
Mas hoje resolvi separar uma horinha para por o blog em dia. E resolvi fazer tópicos pra ficar mais fácil.

Francisation:
Depois de duas semanas de francisation em tempo integral acho que já posso falar com mais propriedade sobre a aula: acho a aula boa, mas não é para o meu nível. Tudo o que vi até agora (e tudo o que está no programa do curso) eu já aprendi faz tempo. A verdade é que o nível 3 corresponde ao intermediário avançado e eu estou no avançado. Então eu acabo bocejando a aula inteira. Mas resolvi que vou ficar lá até o fim: sempre se aprende algo novo e nesse momento é melhor estudar nem que seja um pouco do que ficar em casa sem fazer nada.
Segundo informação que recebi do MICC eu não posso fazer francês escrito ou os outros cursos de francês especializados, como francês para negócios por exemplo, se não fizer antes o nível 3 do geral.
Não me entendam mal, o curso é bom, só não é o adequado para mim. Acho que pra quem chega com nível básico ou intermediário o curso é excelente. Mas se você já chegou no B2 do DELF, você vai achar a francisation fraca. Por isso, para os que ainda virão e já falam mais ou menos, nem fiquem contando com ela pra melhorar o francês. Procurem uma escola que ofereça um nível avançado ou estudem por conta. Algo que fiz muito no Brasil enquanto esperava e está me ajudando demais aqui é ler e assistir tv quebeca. Acho que ver tv às vezes pode valer mais a pena do que fazer milhões de exercícios. Tudo depende do que você quer aperfeiçoar. O bom da tv é treinar o ouvido e ir se familiarizando com seu novo país.
Só lembrando que essa é a minha experiência. Cada um tem a sua e elas podem ser muito diferentes.

Emploi:
Ainda não comecei de verdade a procurar emprego aqui. Está faltando tempo pra me dedicar a isso. Porque procurar emprego aqui exige muita dedicação. Mas sobre isso falarei mais tarde. Até agora o que posso dizer é que essa semana tive meu primeiro rendez-vous com minha conseillère en emploi, serviço gratuito (parece que dependendo do caso o governo até paga uma ajudinha de custo pro candidato) oferecido por vários órgãos governamentais e centros de ajuda aos imigrantes. Eu estou fazendo no Hirondelle, por recomendação de dois amigos. O primeiro rendez-vous foi mais administrativo mas a partir de agora terei encontros periódicos que espero sejam de grande utilidade para que eu consiga meu primeiro emprego em terras canadenses. À suivre...

STM:
Pra quem não sabe, STM é a companhia responsável pelo transporte público de Montréal. Na verdade eu não sei se o tópico deveria se chamar "STM" ou "Motoristas de ônibus". Só porque no meu penúltimo post eu elogiei os motoristas agora eu tenho que vir aqui falar mal. Estou impressionada com o que ando visto ultimamente: pessoas paradas no ponto esperando o ônibus e o motorista fingindo que não vê e não pára. Já vi isso acontecer três vezes na última semana. E na boa, eu tenho certeza que o motorista viu, porque as pessoas (em cada situação havia uma pessoa sozinha) acenaram, correram atrás do ônibus, gritaram e mesmo assim o motorista não parou, seguiu em frente como se nada estivesse acontecendo. Em dois dos casos alguns passageiros chegaram a falar em voz alta que havia gente no ponto, mas nada...
Além disso, vire a mexe o ônibus simplesmente não passa. Aconteceu comigo duas vezes essa semana.
Já sabia que a STM não é 100% confiável, pois da outra vez que morei em Montréal cansei de ficar esperando ônibus que nunca passou. Mas geralmente eram os ônibus noturnos.
Conclusão: sábia decisão minha de ir morar pertinho do metro, este também que vira e mexe tem suas panes, mas melhor esperar em um lugar fechado do que no meio da rua enquanto faz -20ºC.


E enquanto os dias passam eu vou conhecendo mais gente e mais de Montréal. Mais de seus jardins lindos, seus parques cheios de vida, suas lojinhas descoladas, seus restaurantes gourmets (ou pas), seus eventos gratuitos, seus habitantes estranhos. Cada dia descobrindo um pouquinho mais da minha nova cidade.

Bisous!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Uma nova francisation

Conforme eu já tinha escrito neste post, tentei a francisation à temps complet mas devido à demora para o início das aulas (só fim de agosto) acabei me inscrevendo numa outra francisation à temps partiel. Só que o pessoal do Bureau de Francisation não sabia disso e me mandaram, há mais ou menos duas semanas, um email marcando um rendez-vous para uma évaluation linguistique, para que eles pudessem avaliar meu nível para eu começar na próxima turma. A avaliação era hoje. Como eu sabia que as aulas começaram semana passada, desencanei de ir porque imaginei que não ia rolar de começar na sessão de primavera mesmo. Ontem liguei no MICC pra cancelar o rendez-vous, pois achava que como já estava na outra francisation não poderia fazer as duas. Além disso as aulas só começariam no fim de agosto, e até lá eu já quero estar trabalhando e não teria tempo de estudar o dia todo. Ao ligar lá o atendente me disse que a francisation do Centre St-Paul não me impedia de fazer a do MICC (pois eu não fui direcionada para lá pelo MICC, e sim por conta própria) e sendo assim eu resolvi manter o rv. Pensei que na pior das hipóteses se eu não tivesse emprego até agosto, eu ia fazer a francisation integral e melhorar mais meu francês e poderia  ainda contar com a bolsa, coisa que seria de grande valia nesse caso. Pois bem, fui lá no Bureau fazer a avaliação e para minha total surpresa meu avaliador conseguiu uma vaga pra mim, pra começar amanhã, no Cégep du Vieux-Montréal, de 12h30 as 19h. Tempo integral e com bolsa!


Fiquei muito feliz e satisfeita, pois isso era o que eu queria desde o início. E ainda mais depois de ler o relato sobre a francisation do pessoal do Penso, Logo Imigro com ótimas recomendações do curso do CVM.
Depois fiquei pensando que se eu estivesse no Brasil, provavelmente não iria ligar pra desmarcar o rv. Simplesmente não iria aparecer e pronto. Mas aqui eu me empenho mais em fazer tudo certinho. Liguei, fiquei mais de 10 minutos na linha esperando pra conseguir falar com alguém, estava ao ponto de desligar o telefone (só não o fiz pois tinha minutos sobrando) e o atendente fez tantas perguntas e explicou como funciona o sistema que acabei mantendo o rv. Se não tivesse ligado eu não teria ido hoje e amanhã seria outra pessoa começando as aulas no CVM no meu lugar.
Ponto pro MICC.
E um pontinho bem pequenininho pra mim também, que sempre lembrarei dessa estória quando encontrar algum empecilho no meu novo caminho aqui. Um "não" às vezes pode se transformar em um "sim".

Agora deixa eu ir correr no parque aproveitar meu "dia de folga".
Bisous!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um novo chez moi


Bonjour people,

Novidade da semana: achei um apartamento e assinei meu bail ontem! Yes!
Desde que cheguei estava preocupada com isto pois resolvi me mudar dia 1º de julho, o dia da mudança, e tava com medo de não achar nenhum lugar decente se eu deixasse pra mais tarde. Depois de dois fins de semana intensos só focados nisso, depois de ver mil anúncios, ligar para uma centena de pessoas e visitar 12 apartamentos, voilá: consegui achar um lugar não muito caro, não muito minúsculo, com aparência decente, pertinho do metro e uns 15 min. de caminhada do parque Olímpico, perto de supermercado, farmácia, banco, dollarama (eba! hehe), numa rua tranquila e com uma proprietária que não encrencou com a minha condição de recém chegada e desempregada.

Agora já posso me tranquilizar e focar na busca de um emprego. Semana passada fiz uma “formação” do MICC chamada Objectif Intégration, que explica de maneira geral como é a vida aqui, mercado de trabalho, algumas leis trabalhistas etc. Mas é uma formação bem generalista e 85% da informação dada eu já sabia. Agora esta semana tenho um rendez-vous com uma conseillère d’emploi e depois pretendo fazer outra formação de três semanas só focada no mercado de trabalho. E daí espero colher os frutos né!

E com relação à francisação, ainda vou esperar mais uma semana pra dizer com mais certeza, mas até agora não está nada bom. Minha classe é na verdade junto com o nível escrito I e II, que teoricamente é mais forte que o nível 6. Mas na prática cada aluno tem um nível diferente (muito diferente) de francês. Tem gente no nível escrito II que ainda não sabe direito a diferença entre PC, Imparfait e PQP. Muitos alunos ainda não tem vocabulário de base. A professora é muito fraca, ela não explica a teoria, só dá uns exercícios e pronto. Quando alguém não sabe uma palavra, ao invés dela dar a definição em francês, ela dá o sinônimo em inglês. Fora que a aula começa às 17h10 mas ela fica esperando (sem fazer nada, sem dar nenhuma atividade) os alunos que chegam mais tarde, então na prática a aula só começa às 18h20. Estou realmente muito decepcionada com as aulas. Espero que melhore nas próximas semanas se não vou acabar desistindo.
 
E fora isso o que mais posso dizer? Montréal está linda linda linda. É a primeira vez na vida que vivo uma
primavera de verdade, apesar das temperaturas estarem mais para verão (tem feito um calorzão e dias mega ensolarados há mais de uma semana). Ver as árvores renascerem é lindo. Quando cheguei estavam todas secas, sem folha alguma, e agora já estão verdinhas, cada dia mais verdes de suas jovens folhas. É muito
lindo presenciar esta mudança na cidade. Estava andando no bairro no fim de semana e vi vários jardins
com suas tulipas já florescidas. Fiquei olhando com a maior cara de boba feliz do mundo. A mesma cara de tonta que eu faço quando olho escrito no ônibus: Go Canadiens Go! E depois quando entro no ônibus e encontro motoristas super simpáticos que trabalham com um sorriso no rosto.
Montréal Montréal, é difícil não gostar de você!

Bisous!

domingo, 14 de abril de 2013

Bonjour Montréal!



Bonjour tout le monde!

Agora escrevendo diretamente da minha nova cidade, Montréal.

Esses primeiros dias por aqui foram meio corridos e cansativos. Até tive tempo de escrever antes, mas pra falar a verdade eu tava morrendo de preguiça.  Então, pra matar a curiosidade de alguns, ajudar em possíveis dúvidas de outros e principalmente pra ficar registrado aqui, para que eu possa ler e reler no futuro, aqui vai um resumão do que aconteceu até agora.

Passei a quarta de manhã com minhas irmãs e teve horas que tive que respirar bem fundo porque achava que não ia conseguir. Eu olhava pra elas e me batia uma agonia terrível, sentia dor no peito, sintomas físicos mesmo. Foi bem difícil, eu sou muito ligada à minha família e principalmente às minhas irmãs, somos muito grudadas. Mas eu já sabia que seria assim.

Meu voo saiu de Garulhos na quarta à noite com conexão em Miami pela AA. Na época que comprei a passagem não achei nenhuma promoção e não consegui usar as milhas que eu tinha. Pra ficar mais barato comprei as milhas necessárias para o voo só de ida pela AA (a mais barata que achei) e assim acabei gastando quase a metade do valor que gastaria comprando uma passagem ida e volta ou só de ida (que não sei porque custa mais caro que a de ida e volta). Quis fazer conexão em Miami porque o avião que sai de NY pra Montréal é tão pequeno que a mala de mão não fica com você e é um teco-teco que chega a dar medo! O voo foi tranquilo, tomei um remedinho e dormi quase a viagem toda. Chegando em Miami, para minha total surpresa, fila de mais de duas horas para passar na imigração. E não adiantava falar que você ia perder sua conexão porque eles não tavam nem aí. Cheguei na fila da imigração as 5h30 e meu voo saia as 8h20, com embarque as 7h20. Fui passar no guichet já era 7h40. Ainda tinha que ir até a esteira, pegar as malas, ir para o outro lado do aeroporto, despachar as malas de novo, passar no raio X e chegar no meu portão de embarque que pra minha sorte era um dos últimos! Aí eu saí correndo pelo aeroporto me sentindo como se estivesse no Amazing Race. No fim consegui embarcar e tive ainda a sorte de sentar na janela com duas poltronas vazias do meu lado.

Chegando em Montréal fui tudo super tranquilo. Passei na primeira imigração, na fila dos turistas. Cinco minutinhos de fila e fui atendida. Me pediram passaporte, CRP e CSQ e me falaram para pegar as malas e depois passar pela outra imigração. Peguei as malas, coloquei no carrinho (de graça by the way – em Miami tive que pagar $5.00 pra usar o carrinho) e fui me dirigindo à saída. Quando você entrega o formulário que te pedem pra preencher no avião eles vêem que você é imigrante e te direcionam para outra sala onde você faz o landing propriamente dito. Lá também não havia fila alguma e fui atendida por um oriental muito simpático que conversou comigo metade em francês, metade em inglês, perguntou do meu bairro, falou que morava aqui perto, bla bla bla, me explicou tudo, perguntou quanto eu trazia de dinheiro (não pediu pra ver nada), perguntou o que tinha na mala e quanto valia tudo (a única coisa que ele pediu pra ver foi meu notebook) e só. Ele me encaminhou então pra uma outra salinha onde te dão orientação sobre os serviços oferecidos pelo governo do Québec. A moça me entregou uns folhetos, perguntou se eu tinha feito o SIEL, eu disse que sim, ela perguntou se eu tinha alguma dúvida, falei que não e pronto. A verdade é que eu tava tão cansada que não ia ficar perguntando nada lá pra ela. E acho que eles supõem que quem fez o SIEL já tem todas as informações então não ficam se prolongando muito não.
Saí do aeroporto, peguei um taxi com um haitiano que me perguntou sobre o Ronaldo, só pra variar, cheguei em casa e minha coloc estava me esperando.

Na sexta feira fui tirar os dois documentos principais: a carte soleil da RAMQ e o NAS. Amanheceu nevando. Acho que São Pedro quis que eu visse um pouquinho de neve antes de primavera chegar de vez. Peguei o metro, recarreguei meu OPUS card (se você já tem um, leve contigo porque ele vale por 4 anos), fui até a RAMQ, nenhuma fila, fiz tudo em menos de 15 minutos. Ficou faltando o comprovante de endereço que eu posso mandar via fax em até 45 dias. Mas já dei entrada e está tudo certo. Ah, tem que tirar uma foto lá na hora e pagar $10,30.
Depois fui no Service Canada pra tirar o NAS. Cheguei na hora do almoço e tinha fila de 1h30. L Esperei né! Após uma hora e pouco fui atendida e em menos de 10 minutos saí de lá com meu comprovante. O cartão deve chegar em até 3 semanas.
Depois fui tentar fazer um plano de telefone mas não tinha os documentos que eles queriam e resolvi deixar pra outro dia. Eles queriam meu NAS mas achei melhor arranjar outro documento pra dar no lugar. Fui na Grande Bibliothèque (sou apaixonada por essa biblioteca) e já revalidei minha carteirinha, também sem muitas burocracias. Fiz a demande en ligne para a francisation temps complet e segunda vou lá no Bureau de Francisation levar uma cópia do CRP.

Ontem visitei uma amiga e hoje vou dar uma volta no parque Angrignon, aqui perto de casa, e aproveitar pra comprar umas caixas pra guardar minhas coisas já que o guarda roupa aqui não cabe nem metade do que eu trouxe, e olha que minhas malas nem chegaram nos 32kg hein!

Estou me sentindo muito acolhida aqui. Todos tem sido simpáticos e receptivos. Já recebi vários convites para diferentes programinhas e gostaria de agradecer a atenção e a  recepção de todos que leem esse blog e me enviam pensamentos positivos e são tão solícitos sempre! Vocês são demais! Com certeza espero retribuir um dia e poder ajudar aos que chegarão depois de mim! 

E amanhã é dia de resolver mais coisas! Tomara que este sol lindo que está fazendo hoje não vá embora tão cedo!

Bisous!