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domingo, 20 de outubro de 2013

6 meses e alguns dias

Então vamos lá tirar o pó do blog, afinal fim de semana é sempre tempo de ménage.
Muito rolou desde a última vez que escrevi. Já faz mais de seis meses que cheguei e posso dizer que no geral estou satisfeita com a vida por aqui. É lógico que sempre existem os dias ruins, mas no geral eles não chegam a 10% do meu tempo. O que mais pega é a falta das pessoas queridas que não estão aqui comigo. Tem dias que eu passo muito tempo me imaginando no Brasil, com eles, jogando conversa fora e dando risada, como costumava ser... e posso dizer que é muito difícil você acompanhar a vida dessas pessoas à distância. Dá um aperto no peito, mas passa. Outro dia quase chorei no ônibus pensando que eu tava aqui, num país tão bom, tão mais justo, mais decente, mais seguro, e minha família lá no Brasil, passando medo, insegurança, pagando caro por tudo e recebendo tão pouco em troca. Mas não tem jeito: não é todo mundo que quer sair do seu país, mesmo com todos problemas que ele tenha. Não é todo mundo que tem a vontade, a coragem, a disposição e o desprendimento necessários para largar tudo e recomeçar do zero, com mil incertezas na cabeça e muito esperança no coração. E há de se respeitar. Eu sou a exceção e tenho que lidar com isso. Para se ganhar algo é preciso perder algo. Acho que esse sentimento de solidão e tristeza que bate às vezes está muito relacionado com o fato de eu estar aqui sozinha (dããã!!!). Fiz muitos amigos e eles são demais, pessoas maravilhosas, mas é diferente de quando você volta pra casa à noite e encontra a tua família alí. Porém esse foi um dos motivos que me fez vir pra cá: começar a minha família num lugar melhor, com mais oportunidades pros meus filhos (se eu os tiver), mais liberdade, mais segurança, enfim, todo aquele bla bla bla que todo imigrante conhece.

Bom, deixando de lado um pouco o sentimentalismo, vamos ao lado prático: estou trabalhando.
Não posso dizer que foi difícil consegui-lo. Comecei a procurar emprego em meados de julho, depois do fim da francisação, mandei vários CVs, me cadastrei em alguns sites, segui algumas das orientações da conseillère d'emploi, e duas semanas depois fiz minha primeira entrevista numa agencia de recrutamento. A RH disse no final que tinha uma vaga pro meu perfil e ia me indicar. Tive que fazer umas seis provas diferentes de inglês, francês, informática e afins, e uma semana depois fiz outra entrevista pra mesma vaga, já na empresa, com o diretor da área. Eu saí de lá pensando que tinha ido bem, o que era bom, mas que a vaga não era legal, o que era ruim, pois se seu passasse eu não ia ter coragem de dizer não e continuar desempregada e acabaria trabalhando com algo muito chato que não me estimula nem um pouco. E foi o que aconteceu. E pra piorar tudo eu moro em HOMA e trabalho em Ville St-Laurent, uma hora e meia pra ir e uma e meia pra voltar, todo santo dia. Ultimamente saio de casa ainda tá escuro e quando chego, já tá escuro de novo (pelo menos a janela do meu bureau é bem grande e consigo ver o sol a tarde toda). Pra quem tava acostumada à uma caminhada de 25 minutos pra ir ao trabalho, não é facil. Meu pior pesadelo se concretizou: perder três horas da minha vida todo dia no trânsito. Mas tenho que dizer que estou acostumando. Tenho lido muito durante o trajeto e quando o livro é bom, ajuda muito. Quando bate a tristeza, o desespero, o "o que que eu to fazendo aqui?", penso que isso é passageiro. Penso que ainda no Brasil eu imaginava que meu primeiro emprego ia ser tão ruim que mal daria pra pagar o aluguel mais o supermercado. E no fim das contas foi mais fácil do que esperava. O que não significa que esteja sendo fácil. Pois não está.
Estou feliz no trabalho? Não. Mas apesar de tudo agradeço todos os dias pelo fato de ter um trabalho que paga as minhas contas e que vai me ajudar no futuro a conseguir um emprego melhor.
Ainda procuro o pote de ouro no fim do arco-íris. Uma profissão nova que me faça feliz. Mas tá nada fácil achar. Like always I will have to compromise on something... we will see.

To achando que o post tá meio depressivo, então vamos falar de coisas mais alegres:
Adoro Montréal. Adoro andar pelas ruas da cidade, ver a vida passar, ver a paisagem.
E falando em paisagem: o outono! Lindo, maravilhoso. Sempre foi minha estação favorita, mesmo no Brasil, e aqui então, nem se fala. Fico babando nas árvores coloridas, tão lindo que só estando aqui para sentir como uma coisa tão "banal" como a mudança da estação pode ser tão maravilhosa. A natureza é mesmo incrível.
Adoro as mil opções de bares e restaurantes que a cidade oferece. Cada fim de semana tenho indo num bar diferente. O objetivo é nunca repetir o bar, até conhecer um número significativo deles (acho que vai levar pelo menos um ano). Adoro as várias opções de cerveja que encontro por aqui e já até não ligo mais para o fato de ter que beber cerveja sem pastel, calabresa, mandioca frita, picanha fatiada com catupiry e afins. Acho que é porque quando se bebe Itaipava você precisa de algo que ajude a cerveja a descer. Mas quando você pode escolher uma boa cerveja, você não precisa de acompanhamentos.
Obs: na minha cidade no Brasil, 90% dos bares só serviam uma marca de cerveja. Era aquela porcaria e pronto. Saudades zero!
Adoro as mil opções de entretenimento por aqui. Sempre tem algo pra fazer. Às vezes tem tanta opção que fica difícil conciliar tudo. Cinemas, galerias, exposições, shows... Mês passado fui num show não divulgado para somente 200 pessoas do Arcade Fire (graça aos amigos que ficaram na fila por mim) - lançamento do álbum novo "Reflektors". Duas semanas depois, ia no show do Stereophonics (que amo demais), mas chegando lá tinha um aviso que o show tinha sido cancelado na última hora!. Duas semanas atrás foi a vez de Kings of Leon, de graça, na Place des Arts. Essa semana tem Franz Ferdinand (ainda to pensando se vou ou não), e ontem perdi o show da Lou Doillon (fiquei sabendo na ultima hora, não tinha mais ingresso :( !!!). Fora todos os outros concertos de artistas não tão conhecidos que rolam todos os dias em algum canto da cidade.
Adoro a localização da cidade, entre Toronto, Ottawa, Québec e os EUA. Estou louca pra por o pé na estrada e passar um fim de semana em cada canto, em cada ptt coin de la province. Há umas três semanas fui pra Mont-Orford, à convite dos amigos do Voilà Pourquoi, ver as lindas cores do outono, fazendo hiking - pela primeira vez desde que cheguei. Foi maravilhoso e voltei decidida a explorar mais os parques e as cidades do Québec. Fim de semana passado foi feriado de Ação de Graças e fui pra New York... tão fácil! Foi ótimo passear um pouco e aproveitar os precinhos mais em conta dos EUA pra comprar meu casaco de inverno e outras coisinhas mais.

Parc National du Mont-Orford


Adoro as bibliotecas de Montréal. Não tem nem muito o que comentar. Amo demais.
Estou começando a adorar bacon, manteiga de amendoim, maple, poutine e outras gordices canadenses. Fora que ultimamente só como chocolate se tiver caramelo junto. E por incrível que pareça ainda não senti falta de churrasco, bolinha de queijo, pastel, mandioca, brigadeiro, bolo de chocolate da doceria da família, do peixinho grelhado do meu almoço de quase todo dia entre outros. Às vezes bate aquela vontadinha mas nada desesperador. E depois, já fui em várias festinhas de brasileiros com guloseimas brazucas que mataram as lombrigas.
Adoro a educação das pessoas por aqui. Lógico que sempre tem os mal educados, em todo lugar né, mas no geral o povo é bem mais educado e simpático que no Brasil. Sim, simpático. No trabalho eu fico sempre besta de ver como o povo em geral é simpático, sempre se desculpando por incomodar (coisa de canadense, e eu sou exatamente assim), sempre elogiando pequenos gestos, pequenas ações... muito diferente do que eu estava acostumada. E quando preciso falar com algum service à la clientèle então? Nossa, no Brasil eu dava tudo pra não ter que ligar pra um telemarketing e aqui o povo que te atende é sempre tão mais eficiente, mais simpático, mais solícito. Não vou dizer que isso seja a regra, mas comigo 80% das vezes foi assim.
Bom, e como eu adoro passar o meu fim de semana fora de casa, vou terminando o post por aqui porque a vida não me espera e tem coisas mais interessantes do lado de fora da maison pra fazer.

Ah, e uma mensagem pros colegas que estão esperando seus processos terminarem, angustiados aí no Brasil: força, coragem. Logo termina. E a recompensa será enorme! A espera vale a pena.

Bisous!



sábado, 9 de fevereiro de 2013

Teoria das Janelas Partidas

Uma amiga compartilhou este texto e resolvi compartilhar também pois acredito que ele muito se aplica à realidade mundial. E neste momento da minha vida é impossível lê-lo sem traçar paralelos entre o Brasil e meu país adotivo. 


"Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.

Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito.
Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e da esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.
Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?
Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o "vale tudo". Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.
Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade) , estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estacões, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'.
A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão 'Tolerância Zero' soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja
em nosso bairro, na vila ou condominio onde vivemos, não só em cidades grandes.
A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc.
Pense nisso!"
Autor desconhecido

Bom carnaval pra vocês galera (no meu caso, trabalho, tv, chuva, comidinhas calóricas e conversas gostosas com pessoas queridas).

Bisous!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Arrependimentos

Vi ontem este vídeo bem interessante que fala dos maiores arrependimentos das pessoas quando estão perto da morte.



Achei o "ranking dos arrependimentos" bem condizente com o que observo no mundo e nas pessoas. Mas o que me tocou foi uma das coisas que a médica disse: que as pessoas fazem pelos outros aquilo que elas acreditam ser importante para eles, mesmo que eles nunca tenham pedido nada. E isso com o tempo acaba gerando mágoa e cobrança.

Posso dizer que já passei por isso e ela tem toda razão. E penso que isso me ajudou também a tomar atitudes mais egoístas em relação a mim sem me sentir culpada. Afinal a primeira pessoa que eu tenho que agradar nessa vida é mim mesma!

Bisous!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mexidão canadense

Oi povo. Como eu estou meio preguiçosa essa semana para escrever no blog resolvi fazer este post rapidinho com um vídeo que a Julia postou no facebook. É um curta-metragem documental que mostra um pouquinho da pluralidade cultural de Montréal através da história de uma família com origens diversas.
Mas o que eu mais gostei foi o modo como estes pais estão criando e educando seus filhos. Aprovadíssimo!


Bisous!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Malandragem canadense

Infelizmente o famoso "jeitinho" não é exclusividade brazuca não (mas isso eu já sabia).
Olha só o que eu vi hoje no site do LaPresse: estão vendendo na internet um equipamento que acionado via controle remoto cobre a placa do carro, impedindo assim que o radar fotográfico identifique o veículo que passa acima da velocidade máxima permitida.

Leia a matéria aqui.


Fala sério! J'en marre!

Bisous!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Que Canadá você quer?

Saiu hoje o relatório do Canadian Index Wellbeing que revela que a qualidade de vida dos canadenses está em declínio. Eu diria que ela não está em declínio, mas sim declinou nos últimos dois anos pesquisados. A pesquisa mostra que enquanto o PIB canadense cresceu 28,9% nos últimos 17 anos, a qualidade de vida só aumentou 5,7%. O interessante é que ao divulgar os dados coletados eles propoem ao leitor uma indagação sobre o futuro do país e porque o aumento do bem estar social não segue o mesmo ritmo do crescimento econômico.

"In these uncertain times, we are fortunate to live in a country where we still have choices about how we want the future to look. Each of us has the power to voice – or not – our choices about the kind of society in which we want to live. The CIW provides a depth of understanding that can help steer Canada forward and build a society that responds to the global call for greater fairness. We challenge you to start talking about the future you want, so that all Canadians can enjoy the highest possible wellbeing status."
https://uwaterloo.ca/canadian-index-wellbeing/


Quer ler na íntegra? Clique aqui.

How are Canadians really doing? - The 2012 CIW report (PDF)











Bisous!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Le Bonheur

Em qual cidade no Québec as pessoas são mais felizes?

Todo mundo sabe que felicidade é abstrata, pessoal e relativa, mas mesmo assim foi feita uma sondagem baseada na noção que cada pessoa tem de felicidade. Veja o resultado clicando aqui.



Depois dessa só posso dizer uma coisa: mudei de idéia e vou me mudar para Rimouski.

Brincadeirinha...

Bisous!

sexta-feira, 23 de março de 2012

You've got mail!

Gentem, gentem! Cheguei em casa agorinha de pouco depois de uma ida ao shopping (sim, fiz compras, hahaha), chequei meu email e tá dam: Citoyenneté et Immigration Canada m'a envoyé mon numéro de demande!
Nem acreditei quando eu vi!
Ainda não tentei acessar o e-cas, mesmo porque todo mundo diz que demora uns dias pra entrar no sistema, mas não importa, estou muito feliz.



Eu sei que pode parecer uma besteira, eu sabia que cedo ou tarde isso iria acontecer, mas só de saber que meu processo tá lá, que alguém já olhou pra ele, que eu já tenho um EP, já é um motivo a mais pra não perder as esperanças e mentalizar positivo que tudo dará certo.

A única coisa que eu ainda não entendi é a data de recebimento do processo. No e-mail consta que foi recebido dia 09 de junho de 2011, mas eu tenho certeza (ou tinha) que eu havia postado meus docs dia 10. Lembro que era uma sexta-feira e a moça dos correios me perguntou se eu queria sedex10, e eu respondi que não porque amanhã seria sábado mesmo, então tanto fazia, eles só iriam receber na segunda anyway.
Bom, enfim, acho que foi erro do estagiário. Mas se eles quiserem deixar dia 09 eu não reclamo não. Quanto antes melhor, haha!

Antes de terminar o post eu só queria comentar que às vezes, quando a gente começa a se desligar, as coisas começam a acontecer. Esse mês eu tentei dar uma relaxada da nóia do processo. Tentei pensar menos no Canadá, estou estudando menos (muito menos), lendo menos, procurando menos informação e tentando me concentrar mais na vida aqui no Brasil. Refleti e cheguei a conclusão que minha vida aqui tá um tédio total, muito em parte graças aos meus esforços em relação à imigração. E eu decidi que isso não tava valendo a pena. É lógico que não vou despirocar total e esquecer as minhas metas, mas vou tentar não radicalizar tanto e curtir mais a vida por aqui, nem que pra isso eu gaste mais, estude menos e esteja menos preparada pra quando o momento de partir chegar. Afinal, eu sei que quando a hora chegar, preparada ou não, eu vou dar meus pulos e fazer acontecer.

Ok, agora eu vou tentar acessar o e-cas, porque mesmo sabendo que não vai ter nada lá eu não vou conseguir esperar. Aí eu desencano e passo o fim de semana nóia-free!

Bisous!

Editado: Olha a tonta desmemoriada de volta. Estava incomodada com essa estória das datas e fui olhar nas minhas gavetas pra ver quando afinal eu tinha enviado meus documentos. E não é que eu enviei dia 06 de junho?!? Agora por que eu fui cismar com dia 10 não me perguntem. Vou fazer que nem médico e jogar a culpa no stress.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A cidade das bicicletas

Estou sem paciência para escrever hoje, mas gostaria muito de compartilhar uma matéria do site Cidades para Pessoas sobre o meio de transporte mais comum em Copenhage: as bicicletas.


Se você também acha que está mais do que na hora das cidades do mundo encontrarem soluções para os crescentes problemas do trânsito e poluição (principalmente) vale a pena dar uma olhada não apenas nessa matéria mas em todo o conteúdo do site!

Bisous!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Insegurança

Hoje pela primeira vez desde que decidi imigrar senti uma sensação de insegurança. Estava assistindo a reprise do téléjournal da Radio-Canada e vi notícias sobre o aumento do desemprego no Québec.
Venho acompanhando esse assunto já há algum tempo mas nunca havia realmente refletido sobre ele. Era como se isso fosse apenas mais números e estatísticas dentro da minha cabeça já repleta deles.
Mas hoje eu me peguei pensando: se está difícil para um québécois conseguir emprego, quem dirá para uma recém-chegada que nem fala francês direito? E se eu passar meses e meses e nada? E se eu passar um ano procurando emprego e nada?

Eu sei que pode parecer estúpido mas fiquei meio angustiada. Logicamente sei que não vou chegar lá e conseguir um trabalho de cara. E estou preparada para isso. Estou preparada para estudar (e muito) francês por alguns meses logo que chegar e só depois tentar entrar de verdade no mercado de trabalho. Mas e se quando chegar essa hora, a hora da verdade, eu falhar? E nem estou falando de emprego na minha área, mesmo porque estou mais perdida do que cego em tiroteio e pretendo abrir bastante meu leque de opções quando começar minha busca por um emprego. Estou falando apenas de conseguir um trabalho para poder me sustentar.

Acho que eu nunca havia pensado antes na possibilidade do fracasso. Na possibilidade de tentar de tudo e nada dar certo. Já havia sim pensado na possibilidade de me arrepender e querer voltar, de achar que as coisas lá seriam no geral melhores e quebrar a cara, de me sentir muito sozinha e não aguentar a saudade, e eu estou ok com tudo isso. Estou indo tentar uma outra vida, se não der certo, eu volto, ou eu vou pra outro lugar. Mas e se eu quiser muito ficar lá e não tiver trabalho? Nisso eu nunca havia pensado.

Racionalmente eu sei que posso trabalhar em qualquer coisa, que posso na pior das hipóteses fazer faxina, ser ajudante de cozinha, fazer qualquer tipo de trabalho braçal, pois tenho garra e força de vontade e não me sentiria incomodada de forma alguma em fazer esse tipo de serviço (teoricamente mais fácil de se conseguir).

Mas emocionalmente eu fico pensando: e se até isso me faltar?
Acho que esse assunto aflorou o sentimento de uma possível derrota e um tipo de derrota para o qual eu não me preparei psicologicamente. A derrota de querer ficar lá a qualquer custo mas por algum motivo maior que eu, ter que voltar. Talvez seja a mesma sensação de quando penso na possibilidade do meu visto ser negado. É difícil mas pode acontecer. O que eu faria? Não sei. Não sei. Não sei. Me recuso a pensar sobre isso. Me recuso a aceitar a idéia de que isso possa acontecer. Eu já não consigo mais conceber minha vida no Brasil. Acho que se isso acontecesse não me restaria outra alternativa a não ser colocar uma mochila nas costas e tirar um ano sabático. E levar um psicólogo a tira-colo para ver se eu consigo me entender de uma vez por todas.

Bisous!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bonjour 2012!

Mais um ano acabou, outro está começando, e o que muda na verdade? Acho que nada.

2011 foi um ano bem estranho pra mim. Acho que estranho é mesmo a palavra. Não posso dizer que foi bom nem ruim. Foi estranho. Um ano em que não comecei nada, não terminei nada, um ano que ficou no plano das idéias. Poucas ações concretas e muitos sonhos. Mas parando um pouco pra refletir acho que o último ano foi de amadurecimento. Eu sinto que mudei bastante meu ponto de vista sobre inúmeros assuntos (pra melhor na minha opinião), estou conseguindo enxergar mais além do meu próprio umbigo e sinto que estou muito melhor com meu eu interior.

E pra 2012? É lógico que eu quero um monte de coisas, mas a principal delas é sabedoria. Sabedoria para guiar minhas ações no caminho certo, para lidar com os ganhos, as perdas, as frustrações, e principalmente muita sabedoria em tudo o que tange a maior mudança da minha vida: a imigração.

Venha 2012, venha brilhar 

Se eu conseguir ter paz de espírito e encontrar meu caminho já estarei dando um passo gigante rumo à felicidade.

E que todos consigam atingir suas metas esse ano, sejam elas quais forem.

Bisous!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Brasil e a meritocracia

Gente, eu sei que isso é notícia velha mas como eu só fiquei sabendo disso semana passada resolvi comentar aqui mesmo assim (antes tarde do que nunca):
O que foi aquilo da Academia Brasileira de Letras dar a medalha Machado de Assis para o Ronaldinho Gaúcho? Pera aí, volta a fita, não to entendendo mais nada.
Ah, não precisa, já entendi tudo. Foi a Academia Brasileira de Letras...

Eu ia até escrever um pouqinho da minha indignação aqui, mas depois que eu vi esse comentário abaixo, resolvi simplesmente postar o vídeo, pois o Luiz Carlos Prates disse tudo o que eu estava pensando (com exceção do pé na porta).


Bisous!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Les Déchétariens

Desperdício. É impressionante como nós desperdiçamos "coisas" ao longo da vida. Desperdiçamos nosso tempo com inutilidades, desperdiçamos nossa saúde adotando hábitos que não são os mais recomendados, desperdiçamos nosso dinheiro comprando bugigangas que sabemos que irão quebrar no dia seguinte e desperdiçamos, muitas vezes sem ao menos nos darmos conta, comida. E desperdiçar comida me deixa realmente chateada. Quando eu penso no tanto de comida em bom estado que é jogada fora todos os dias, enquanto milhares de pessoas ao redor do planeta não tem o que comer fico muito triste e também preocupada com o futuro do mundo.

E é sobre o desperdício de alimentos que o mini documentário Les Déchétariens fala. Ele mostra pessoas que recuperam alimentos que foram jogados fora pelos centros de distribuição e supermercados, fazendo disso um ato político: enquanto há abundância de alimentos em alguns lugares, em outras partes do mundo há pessoas morrendo de fome. No Québec por exemplo estima-se que 50% das frutas e legumes produzidos sejam jogados no lixo. Se levarmos em conta apenas o desperdício na América do Norte, daria para alimentar 49 milhões de pessoas com o que é jogado fora todo ano.


Confesso que foi muito chocante pra mim ver pessoas comuns (não pobres necessitados) mergulhando em lixeiras para catar comida. Eu sinceramente não acho que a atitude dessas pessoas vá mudar alguma coisa no cenário mundial (ou québecois) do desperdício alimentar. Mas é um começo e vale para informar. Acho que é preciso sobretudo uma mudança radical na mentalidade das pessoas. E isso deve ser feito desde criança. As crianças precisam ser educadas desde pequenas a valorizar mais os alimentos e criarem consciência de que como consumidores (no futuro) elas terão o poder de barganha sobre a indústria. Desde já precisamos nos mobilizar: parar de comprar em demasia aquilo que não precisamos, consumir cada vez mais produtos locais e da estação, dizer não aos produtos que são embalados mil vezes e que possuem etiquetas com prazos de validade bem inferiores ao normal. É só parar para pensar: se um supermercado joga no lixo 40% das suas frutas e legumes (por exemplo), ele está lucrando muito em cima dos 60% vendidos. Não seria mais vantajoso para todos que ele vendesse 90% de seu estoque ao mesmo preço dos 60% que já vende? Assim os consumidores pagariam menos e mais pessoas teriam acesso a esses alimentos que hoje são desperdiçados. Mas aí nós também precisamos fazer nossa parte e parar com frescuras inventadas na última década de consumir sempre o que é mais bonitinho, embalado à vacuo, super selecionado, etc etc.
Acho que vale a reflexão.

Bisous!

sábado, 10 de dezembro de 2011

6 meses de federal

Hoje faz seis meses que eu enviei minha documentação pra etapa federal. A data de abertura do meu processo eu ainda não sei, e pelo visto vou demorar pra saber, então enquanto isso pra mim fica valendo dia 10 de junho.
É estranho pensar no tempo. Os prováveis oito meses que ainda faltam pra terminar o processo parecem interminávies. Mas ao mesmo tempo esses seis meses passaram tão rápido que eu não fiz metade das coisas que tinha planejado fazer.


Agora acho que chegou o momento de estabelecer metas mais concretas e traçar um planejamento mais objetivo para quando eu finalmente chegar no Québec. Mas sem neuras. Já vivi o suficiente pra saber que a vida nos leva a caminhos muitas vezes inesperados e nem sempre o planejado vira concreto. Aliás, em inúmeros momentos temos que esquecer o caminho já traçado e seguir por outra rota. Quando penso no passado eu imaginava minha vida completamente diferente do que ela é hoje. Meus planos (quase todos) não deram certo, e imagino que se tivessem dado hoje eu seria uma pessoa menos feliz. Por isso mesmo eu quero caminhar devagar, sem criar grandes expectativas, e viver com calma, dia após dia, somente cumprindo à risca um único objetivo: o de ser feliz.

Bisous!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ser x Ter

Faz tempo, muito tempo que o pensamento de Ser x Ter invadiu minha cabeça. Pra mim, graças a Deus, isso nunca foi um assunto conflitante. Sempre fui pró Ser. O que eu não consigo entender é como existem pessoas (e bota pessoas nisso) que esqueceram o Ser e em suas vidas só existe lugar para o Ter. É tão triste saber que a humanidade caminha muitas vezes de forma tão torta.

Quer coisa melhor que ver o pôr de sol? É de graça!

Não quero dizer aqui que sou uma total altruísta e que o Ter não faz parte da minha vida. É claro que faz. Só que tento dar um valor menor para ele e não o deixo dominar minha ações. Não vivo para ter coisas, cada vez mais coisas, comprar, consumir, me exibir, ter o último modelo, o mais caro, o mais lindo, o melhor, depois de um ano ou seis meses, jogar fora e comprar tudo de novo. Não vivo para ter uma casa linda e maravilhosa com cinco suítes num condomínio de luxo, um carro ultra mega power maravilhoso grande e caro, um iphone, um ipad, um ipod, um itudo (eu mal sei ligar meu celular - que não é um smartphone, imagina então conciliar todos esse is), um armário lotado de roupas de marcas caras. Não vivo para ir ao dermato todo mês, fazer zilhões de tratamentos estéticos, gastar toda minha energia (e dinheiro) tentando rejuvenescer sendo que eu deveria estar gastando-a para me enriquecer, espiritualmente, é claro.

Pois é, ainda bem que eu sou da turma do Ser, porque se fosse da turma do Ter eu tava ferrada. Como eu iria arranjar dinheiro para manter esse padrão de vida absurdo? Eu teria que ralar muito, mas muito mesmo. Trabalhar insanamente, 24/7, always, toujours, non-stop. (acho que nas atuais circunstâncias para manter o tal padrão acima citado eu teria que virar política, mas vamos dizer que não, pois políticos não trabalham muito, e daí a historinha a seguir ia perder a graça). Continuando... mas aí eu sairia do trabalho, pegaria meu possante de luxo com o manobrista, chegaria em casa no fim da noite pensando que eu tenho que tomar cuidado pois posso ser assaltada a qualquer minuto, iria ver meu filho (já dormindo), zapear os 500 canais da minha mega power TV, não assistir nada de tanto sono, e dormir no meu lençol de seda da minha cama extra-king para acordar no dia seguinte as 6 da manhã para recomeçar a rotina de todo dia.
Mas pera aí: e quando é que eu vou aproveitar todas as coisas lindas, modernas e maravilhosas que eu comprei? Pois é, talvez nunca. Não vai me sobrar tempo. E seu eu tiver tempo não terei disposição. E se eu tiver tempo e disposição, talvez eu tenha medo de sair na rua com as minhas jóias, então elas ficam no cofre e eu saio com as bijuterias mesmo.

Acho que eu não preciso continuar, você entendeu meu ponto de vista né. Eu enxergo a vida assim: a gente tá aqui pra viver, Ser feliz e fazer coisa legais. Na medida do possível a gente compra algumas coisas bacanas que nos proporcionam momentos agradáveis, a gente gasta uma grana com porcarias, trabalha pra pagar as contas (porque não importa o quanto você seja bicho-grilo, você sempre terá contas pra pagar), e a gente investe em si próprio. Investe em cultura, conhecimento, educação, investe construindo relações humanas, ampliando nossos horizontes, transmitindo valores positivos, ensinando, sendo ensinado, exercendo a cidadania e ajudando a construir, mesmo que com minúsculos gestos, um mundo mais sustentável, mais justo e mais feliz.

PS: Nem em um milhão de anos, mesmo trabalhando 24/7 eu conseguiria ter uma casa com cinco suítes, um mega carro, todos os mega gadgets, etc etc etc... Isso foi só um exemplo hiperbólico de como muitas pessoas fazem de tudo para "subir na vida" e se esquecem de que viver é muito mais do que usar o cartão de crédito.
PS2: Por coincidência uma amiga postou hoje em seu FB um texto que eu já havia lido há um tempo que fala justamente do alto padrão de vida buscado pela classe média brasileira. O texto compara a vida da classe média no Brasil com a da classe média européia. Acho que futuros imigrantes se identificarão com a idéia geral. Se você se interessou, leia aqui.

E para encerrar fica uma música do Vampire Weekend cuja letra diz:
"Every dollar counts
 Every morning hurts
 We mostly work to live
 Until we live to work"


Bisous!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A história das coisas

Uma amiga me mandou um videozinho hoje que achei interessante. É sobre o ciclo do consumo e de como o mundo se tornou um lugar feito para o consumismo. O vídeo exagera em muitos aspectos e fala do que acontece nos EUA, mas podemos transferir esse movimento consumista para qualquer lugar do mundo onde as pessoas tenham um pouquinho de dinheiro para gastar. Achei legal compartilhar. É óbvio que temos que guardar as devidas proporções, e que o consumo não é completamente ruim, afinal faz girar a economia mundial. Mas que a coisa tá exagerada, isso tá.

Mas o pior de tudo é que toda vez que eu vejo coisas desse tipo eu fico pensando: onde é que eu estava com a cabeça quando resolvi estudar propaganda e marketing? Pior ainda é quando eu penso se eu deveria voltar a trabalhar com marketing quando chegar no Canadá... ai ai ai, veremos! (calma, eu sei que o mkt não é o problema, e sim uma das infinitas causas do problema).


Para assistir o mesmo vídeo dublado em português, clique aqui.

Em tempo: faz quase um ano que eu não compro nada pra mim que não seja comida e itens de higiene pessoal (meu plano do desapego). E não é que eu conclui que não preciso de metade das coisas que eu tenho e que ficar sem comprar pode ser libertador? É lógico que isso não vai durar pra sempre mas que eu me tornarei uma consumidora mais consciente depois desse ano de seca, isso é certeza.

Em tempo 2: comentário que eu li no you tube sobre o vídeo:

"My ears and eyes are bleeding! I have never heard or seen anything so fucking liberal in my life! Propaganda at its finest! If you dislike America that much and disagree with how we live our lives then get the fuck out and move to Canada!! And fuck all you hippies and liberal douchefags and the occupy wall street bullshit, you all can suck the bullet out of my m4! Have a nice day :)"
Meu comentário para pessoas desse naipe: espero que você morra chafurdado no lixo. Seu lindo lixo americano.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Porque eu gostei de lá.

Hoje fiquei pensando em postar motivos do porque eu quero ir pro Canadá. Não é simplesmente porque eu não gosto muito do Brasil. É porque eu realmente gostei de lá. Então eu resolvi listar alguns motivos que me fazer acreditar que tudo valerá à pena:

1.        Vou poder ter uma vida decente sem ter que me matar de trabalhar. Esse é um dos motivos número 1 que me levam a imigrar. Não posso reclamar da vida que eu tenho no Brasil. Sempre tive tudo o que precisei (não tudo o que quis), mas sempre ao custo de muito trabalho. Primeiro trabalho dos meus pais que fizeram o possível e impossível para nos dar uma vida confortável, porém sem luxo. Eles deram a mim e minhas irmãs todas as condições para estudarmos e termos ferramentas para seguir adiante com nossos próprios pés. Agradeço muito a eles. Depois meu próprio trabalho, pois mesmo estando muitas e muitas vezes cansada num nível extremo, estressada e querendo fugir, eu sempre lutei e trabalhei para comprar as minhas coisas, guardar as economias, e depois de formada nunca mais ter que pedir dinheiro pra ninguém. Se eu tenho, eu compro, se eu não tenho, paciência. Ninguém tem que arcar com as minhas vontades. Porém nos últimos anos eu tenho visto que está cada vez mais difícil viver no Brasil. Mesmo trabalhando todo santo dia, fazendo economia, não gastando com futilidade, o dinheiro não sobra. Tudo está muito caro. Explodindo. E além de pagar uma carga tributária pesada, ainda temos que pagar por fora plano de saúde, escolas, pedágios caríssimos nas estradas, bom, vocês bem sabem. Hoje eu sou solteira, mas e quando eu quiser ter a minha família? Como vou sustentar meus filhos desse jeito? Eu não quero ser rica (mentira, não ia fazer mal ser rica não, hahahaha), só quero ter uma vida decente, confortável, sem que pra isso eu tenha que trabalhar 60 horas por semana e chegar em casa só pra dormir. Quero trabalhar sim, mas ter tempo pra descansar, me divertir, estar com os amigos, a família (futura), ter tempo pra mim, enfim, quero mais QUALIDADE DE VIDA (as três palavrinhas mágicas de todo imigrante).

2.     Adoro falar outra língua. Sempre fui apaixonada por línguas. E em Montréal eu ainda terei a oportunidade de falar 3: francês, inglês e português. Isso sem contar no portuñol que também rola muito por lá. E esse jeitinho montréalais de misturar o inglês no meio do francês é total a minha cara!

3.     Vou viver numa cidade cheia de verde. É tão gostoso olhar no Google Earth e ver todo aquele verde de Montréal. Todo bairro , mesmo pequenininho que seja tem seu parque. E fora esses tem os parques mais conhecidos, que são enormes. Pra se ter uma idéia, o Ibirapuera (maior parque de São Paulo) tem 1,58 km² (para ser usufruído por uma população de mais de 11 milhões de habitantes). O maior parque de Montréal, o Jean-Drapeau tem 2,59 km² e o segundo maior, o Mont-Royal tem 1,9 km². Ah, pra quem não sabe Montréal tem por volta de 1,7 milhões de habitantes.


4.      Minha casa não vai ter grades nas janelas. Vou poder andar sozinha na rua sem medo e viver minha vida livre dessa nóia da violência.

5.      Vou estar num lugar onde as pessoas não se ocupam (ou se ocupam muito menos) em falar da vida alheia. Lá ninguém ta nem aí se eu to usando camisa xadrez com saia listrada, sapato verde limão e bolsa laranja. Ninguém liga se eu não fiz minhas unhas e se meu cabelo ta horroroso. Ninguém se incomoda se eu saio com fulano, sou amiga de beltrano e freqüento lugares esquisitos. Afinal, quem paga minhas contas sou eu, não é mesmo?

6.      Vou ter amigos dos quatro cantos de mundo e poder conhecer mais a fundo outras culturas. Isso me fascina. Adoro saber como as coisas são em outros países, as formas de pensar, de agir, como é a cultura, a religião, a arte, a sociedade em geral.

7.      Terei o MoMA e o Met a 600km de distância da porta de casa. Ok, ok, confesso que meu museu favorito no mundo (so far) é o Van Gogh Museum, mas convenhamos: o acervo desses dois aí é pra ninguém botar defeito. Assim vou poder aproveitar um ou outro feriado prolongado pra fazer umas comprinhas em NY e conferir as últimas exposições.

8.      Vou poder deixar o carro estacionado por muito mais tempo. Ultimamente eu ando evitando andar de carro. Tenho ido para o trabalho a pé, sempre que dá pego carona, e só não comprei uma bike porque estou no plano “desapego” e minha meta é não comprar nada que não seja mega essencial. Talvez eu compre um carro no Canadá, ainda não sei... depois que eu passar o primeiro inverno eu resolvo. Mas com ou sem carro, o fato é que vou tentar usar o transporte público o máximo possível. Além de bem mais barato, é muito mais ecológico. E como lá o transporte público funciona, temos que fazer uso dele sim. Sei que há seus inconvenientes, mas temos que tentar pensar mais no coletivo e sermos menos individualistas. Aliás, cada vez mais eu penso nisso. Se todos pensassem mais na coletividade e adotassem atitudes menos egoístas, o mundo seria um lugar muito melhor.

9.      Vou fazer snowboarding no meu quintal. Eu nunca esquiei na vida. Snowboarding muito menos. Mas desde que eu vi pela primeira vez o X-Games de inverno na ESPN fiquei louca pra praticar esses esportes. Quando eu estive no Canadá ano passado não rolou. Só deu pra patinar no gelo (minha primeira vez, by the way) e tudo o que eu posso dizer é que eu morro de medo de cair. Tombo eu não levei, mas só porque eu mal saia da borda do ringue. Mas eu sempre fico pensando que cair na neve deve doer menos que no gelo, hahahaha. Fato é que eu vou aproveitar o inverno e vou aprender snowboarding. Nem que demore anos e anos, eu vou conseguir. Afinal, depois de todo chocolate quente que eu sei que vou consumir no inverno, tenho que arranjar um jeito de queimar as calorias adquiridas.

10.   Vou viver numa democracia que realmente funciona e numa cidade que mescla a cultura européia com a praticidade e tecnologia americanas. É como se eu tivesse o melhor de dois mundos em um só lugar. Quando eu estava começando minhas pesquisas sobre mudar de país eu não tinha pensado no Canadá. Foi minha irmã que o mencionou e assim que eu googuei Montréal eu me encantei com o que li e vi.
“Montréal é considerada a cidade mais européia da América do Norte. Possui uma das populações mais bem educadas do mundo, com a maior concentração de estudantes universitários per capita de toda América do Norte. A cidade tem quatro universidades e 12 faculdades. É um centro da indústria de alta tecnologia e uma das cidades mais seguras do continente americano.” (fonte Wikipedia)
E a partir daquele momento soube que meu lugar no mundo poderia ser lá.

Espero que você, se ainda não encontrou o seu, encontre-o também! Bonne chance!

Bisous!



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

not for me

"With 17,5 million inhabitants, the São Paulo metropolitan area is the largest in Brazil. Deep social inequalities are leading to increasingly sharp spatial segregation. Districts wholly inhabited by the rich are turning into cities within the city, protected by security guards, watched by cameras, and surrounded by high walls to keep out the violence and misery that surround them. At the other extreme are the shantytowns (favelas), which were home to 1.1 percent of the population in 1973, increasing to 19.4 percent in 1993. In this new social partitioning, private enclaves are being created within public space. These are the Brazilian equivalent of the “gated communities” of wealthy suburban America. This spatial fragmentation is accompanied by a privatization of the urban environment which ultimately threatens democracy, as democracy cannot function in the absence of public space."



Estava eu navegando no site do Yann Arthus-Bertrand quando me deparei com o texto acima ao clicar numa das fotos que ele tirou em São Paulo. E eu pensei: é isso! Falou tudo! É isso que eu não quero pra mim. Viver em um lugar onde as pessoas precisam se cercar de muros, grades, arames farpados, alarmes, cercas elétricas, seguranças que controlam sua entrada e a de seus amigos na sua própria casa... isso não é vida. Isso é viver em uma prisão, ser refém do medo, refém da violência, isso é não poder ter paz e gozar de liberdade. Isso é o que quero deixar para trás.

É triste pensar que eu não acredito na mudança deste cenário, mas a real é que eu não acredito mesmo. Espero estar errada quanto ao futuro do Brasil e também espero que Deus me ilumine sempre para ter a coragem e capacidade de tomar as decisões certas com relação ao meu próprio futuro. On va voir!!!