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domingo, 20 de outubro de 2013

6 meses e alguns dias

Então vamos lá tirar o pó do blog, afinal fim de semana é sempre tempo de ménage.
Muito rolou desde a última vez que escrevi. Já faz mais de seis meses que cheguei e posso dizer que no geral estou satisfeita com a vida por aqui. É lógico que sempre existem os dias ruins, mas no geral eles não chegam a 10% do meu tempo. O que mais pega é a falta das pessoas queridas que não estão aqui comigo. Tem dias que eu passo muito tempo me imaginando no Brasil, com eles, jogando conversa fora e dando risada, como costumava ser... e posso dizer que é muito difícil você acompanhar a vida dessas pessoas à distância. Dá um aperto no peito, mas passa. Outro dia quase chorei no ônibus pensando que eu tava aqui, num país tão bom, tão mais justo, mais decente, mais seguro, e minha família lá no Brasil, passando medo, insegurança, pagando caro por tudo e recebendo tão pouco em troca. Mas não tem jeito: não é todo mundo que quer sair do seu país, mesmo com todos problemas que ele tenha. Não é todo mundo que tem a vontade, a coragem, a disposição e o desprendimento necessários para largar tudo e recomeçar do zero, com mil incertezas na cabeça e muito esperança no coração. E há de se respeitar. Eu sou a exceção e tenho que lidar com isso. Para se ganhar algo é preciso perder algo. Acho que esse sentimento de solidão e tristeza que bate às vezes está muito relacionado com o fato de eu estar aqui sozinha (dããã!!!). Fiz muitos amigos e eles são demais, pessoas maravilhosas, mas é diferente de quando você volta pra casa à noite e encontra a tua família alí. Porém esse foi um dos motivos que me fez vir pra cá: começar a minha família num lugar melhor, com mais oportunidades pros meus filhos (se eu os tiver), mais liberdade, mais segurança, enfim, todo aquele bla bla bla que todo imigrante conhece.

Bom, deixando de lado um pouco o sentimentalismo, vamos ao lado prático: estou trabalhando.
Não posso dizer que foi difícil consegui-lo. Comecei a procurar emprego em meados de julho, depois do fim da francisação, mandei vários CVs, me cadastrei em alguns sites, segui algumas das orientações da conseillère d'emploi, e duas semanas depois fiz minha primeira entrevista numa agencia de recrutamento. A RH disse no final que tinha uma vaga pro meu perfil e ia me indicar. Tive que fazer umas seis provas diferentes de inglês, francês, informática e afins, e uma semana depois fiz outra entrevista pra mesma vaga, já na empresa, com o diretor da área. Eu saí de lá pensando que tinha ido bem, o que era bom, mas que a vaga não era legal, o que era ruim, pois se seu passasse eu não ia ter coragem de dizer não e continuar desempregada e acabaria trabalhando com algo muito chato que não me estimula nem um pouco. E foi o que aconteceu. E pra piorar tudo eu moro em HOMA e trabalho em Ville St-Laurent, uma hora e meia pra ir e uma e meia pra voltar, todo santo dia. Ultimamente saio de casa ainda tá escuro e quando chego, já tá escuro de novo (pelo menos a janela do meu bureau é bem grande e consigo ver o sol a tarde toda). Pra quem tava acostumada à uma caminhada de 25 minutos pra ir ao trabalho, não é facil. Meu pior pesadelo se concretizou: perder três horas da minha vida todo dia no trânsito. Mas tenho que dizer que estou acostumando. Tenho lido muito durante o trajeto e quando o livro é bom, ajuda muito. Quando bate a tristeza, o desespero, o "o que que eu to fazendo aqui?", penso que isso é passageiro. Penso que ainda no Brasil eu imaginava que meu primeiro emprego ia ser tão ruim que mal daria pra pagar o aluguel mais o supermercado. E no fim das contas foi mais fácil do que esperava. O que não significa que esteja sendo fácil. Pois não está.
Estou feliz no trabalho? Não. Mas apesar de tudo agradeço todos os dias pelo fato de ter um trabalho que paga as minhas contas e que vai me ajudar no futuro a conseguir um emprego melhor.
Ainda procuro o pote de ouro no fim do arco-íris. Uma profissão nova que me faça feliz. Mas tá nada fácil achar. Like always I will have to compromise on something... we will see.

To achando que o post tá meio depressivo, então vamos falar de coisas mais alegres:
Adoro Montréal. Adoro andar pelas ruas da cidade, ver a vida passar, ver a paisagem.
E falando em paisagem: o outono! Lindo, maravilhoso. Sempre foi minha estação favorita, mesmo no Brasil, e aqui então, nem se fala. Fico babando nas árvores coloridas, tão lindo que só estando aqui para sentir como uma coisa tão "banal" como a mudança da estação pode ser tão maravilhosa. A natureza é mesmo incrível.
Adoro as mil opções de bares e restaurantes que a cidade oferece. Cada fim de semana tenho indo num bar diferente. O objetivo é nunca repetir o bar, até conhecer um número significativo deles (acho que vai levar pelo menos um ano). Adoro as várias opções de cerveja que encontro por aqui e já até não ligo mais para o fato de ter que beber cerveja sem pastel, calabresa, mandioca frita, picanha fatiada com catupiry e afins. Acho que é porque quando se bebe Itaipava você precisa de algo que ajude a cerveja a descer. Mas quando você pode escolher uma boa cerveja, você não precisa de acompanhamentos.
Obs: na minha cidade no Brasil, 90% dos bares só serviam uma marca de cerveja. Era aquela porcaria e pronto. Saudades zero!
Adoro as mil opções de entretenimento por aqui. Sempre tem algo pra fazer. Às vezes tem tanta opção que fica difícil conciliar tudo. Cinemas, galerias, exposições, shows... Mês passado fui num show não divulgado para somente 200 pessoas do Arcade Fire (graça aos amigos que ficaram na fila por mim) - lançamento do álbum novo "Reflektors". Duas semanas depois, ia no show do Stereophonics (que amo demais), mas chegando lá tinha um aviso que o show tinha sido cancelado na última hora!. Duas semanas atrás foi a vez de Kings of Leon, de graça, na Place des Arts. Essa semana tem Franz Ferdinand (ainda to pensando se vou ou não), e ontem perdi o show da Lou Doillon (fiquei sabendo na ultima hora, não tinha mais ingresso :( !!!). Fora todos os outros concertos de artistas não tão conhecidos que rolam todos os dias em algum canto da cidade.
Adoro a localização da cidade, entre Toronto, Ottawa, Québec e os EUA. Estou louca pra por o pé na estrada e passar um fim de semana em cada canto, em cada ptt coin de la province. Há umas três semanas fui pra Mont-Orford, à convite dos amigos do Voilà Pourquoi, ver as lindas cores do outono, fazendo hiking - pela primeira vez desde que cheguei. Foi maravilhoso e voltei decidida a explorar mais os parques e as cidades do Québec. Fim de semana passado foi feriado de Ação de Graças e fui pra New York... tão fácil! Foi ótimo passear um pouco e aproveitar os precinhos mais em conta dos EUA pra comprar meu casaco de inverno e outras coisinhas mais.

Parc National du Mont-Orford


Adoro as bibliotecas de Montréal. Não tem nem muito o que comentar. Amo demais.
Estou começando a adorar bacon, manteiga de amendoim, maple, poutine e outras gordices canadenses. Fora que ultimamente só como chocolate se tiver caramelo junto. E por incrível que pareça ainda não senti falta de churrasco, bolinha de queijo, pastel, mandioca, brigadeiro, bolo de chocolate da doceria da família, do peixinho grelhado do meu almoço de quase todo dia entre outros. Às vezes bate aquela vontadinha mas nada desesperador. E depois, já fui em várias festinhas de brasileiros com guloseimas brazucas que mataram as lombrigas.
Adoro a educação das pessoas por aqui. Lógico que sempre tem os mal educados, em todo lugar né, mas no geral o povo é bem mais educado e simpático que no Brasil. Sim, simpático. No trabalho eu fico sempre besta de ver como o povo em geral é simpático, sempre se desculpando por incomodar (coisa de canadense, e eu sou exatamente assim), sempre elogiando pequenos gestos, pequenas ações... muito diferente do que eu estava acostumada. E quando preciso falar com algum service à la clientèle então? Nossa, no Brasil eu dava tudo pra não ter que ligar pra um telemarketing e aqui o povo que te atende é sempre tão mais eficiente, mais simpático, mais solícito. Não vou dizer que isso seja a regra, mas comigo 80% das vezes foi assim.
Bom, e como eu adoro passar o meu fim de semana fora de casa, vou terminando o post por aqui porque a vida não me espera e tem coisas mais interessantes do lado de fora da maison pra fazer.

Ah, e uma mensagem pros colegas que estão esperando seus processos terminarem, angustiados aí no Brasil: força, coragem. Logo termina. E a recompensa será enorme! A espera vale a pena.

Bisous!



terça-feira, 11 de junho de 2013

Deux mois au Canada!

Salut!

De volta ao blog para a comemoração dos dois meses de Canadá.
É engraçado como eu sinto que faço menos coisas (produzo menos) aqui do que no Brasil, mas mesmo assim sobra muito menos tempo. Vai entender.

Bom, após dois meses aqui continuo muito contente e satisfeita com meu novo país. Do Brasil eu só sinto falta das pessoas, por enquanto. Talvez daqui um tempo eu sinta falta da mandioca que dava no quintal de casa e é a melhor mandioca do mundo, sinta falta do bolo de brigadeiro que eu comia todo mês, do pastel de quase todo sábado e dos jogos de vôlei da Superliga que eu assistia à noite quando não tinha nada melhor pra fazer (quase sempre). Mas acho que ainda vai demorar um pouco pra essas saudades aparecerem.

Sobre a vida aqui:
Apesar da francização não estar me acrescentando muito eu sinto um progresso diário no meu francês. Converso com o povo da aula, com a coloc, com os vizinhos, com o telemarketing... acho que é a confiança que cresce dia a dia. Semana passada uma québécoise falou que meu francês era ótimo. Fiquei muito feliz, mesmo achando que ela só tava querendo ser boazinha, mas é sempre bom ouvir elogios né.
Lógico que eu não entendo 100% do que o povo fala, ainda mais se for alguém com muito sotaque ou que carrega nas gírias, mas meu franceszinho tá dando pro gasto.
Tenho feito quase tudo em francês desde que cheguei. Só falei inglês aqui duas vezes, no banco, pois achei que era um assunto muito importante e eu não saberia me virar do jeito que queria em francês. Mas isso foi logo que cheguei. Depois foi francês, francês, francês, e português, bien sûr. Muito português.
Mas o mais estranho de tudo é o sentimento que estou tendo quando ando pelo centro e só ouço inglês. Eu começo a me sentir incomodada. Nunca pensei que sentiria isso, mas eu fiquei pensando: "caramba, to em Montréal e só escuto inglês por todos os lados."
E só pra deixar claro, eu sou a favor do bilinguismo. Mas confesso que ando me irritando um pouco quando estou em um ambiente e SÓ escuto inglês. Vai entender!

Tenho conhecido muita gente bacana aqui, a maioria brasileiros, e tentado aproveitar tudo o que a cidade oferece gratuitamente. Os programas pagos estão praticamente proibidos enquanto eu não estiver trabalhando. E olha que mesmo assim falta tempo pra curtir tudo. Todo fim de semana tem sempre algo rolando em algum parque, ou na Place des Festivals ou numa rua qualquer. Ah, e durante a semana também não faltam atividades. Desde que cheguei já fui em quatro museus, tudo de graça, (três foram graças à francização e um foi na Journée des musées montréalais), já vi showzinhos de bandinhas legais na Place des Arts, no Plateau, já peguei filminhos na biblioteca, estou lendo meu quarto livro, quando o tempo ajuda vou ao parque fazer caminhadas, fico paquerando as flores dos jardins alheios, enfim, nunca faltam coisas pra fazer. E se você tiver grana então, o céu é o limite.
Essa semana começa Francofolies, depois tem Festival de Jazz de MontréalMontréal complètement cirque, e por aí vai. Junho e julho vai ser difícil achar tempo pra dormir!

E por falar em dormir preciso comprar uma cama e todo o resto. Ultimamente estou como uma freak nos sites das lojas aqui, vendo tudo o que quero comprar pra minha casinha nova, que aliás poderá receber visitas em breve. Oba! Oba! Não vejo a hora de me mudar e deixar tudo do meu jeito, num apê limpinho e sem pelos de gato voando por todos os lados.

Quanto ao emprego, confesso que ainda não estou empenhada nisso. Me sinto culpada porque deveria estar procurando emprego de verdade, mas o fato é que não to conseguindo me concentrar nisso agora. Acho que só vou conseguir me empenhar de verdade depois que a francização terminar, daqui um mês. Tive até agora duas reuniões com a conseillère d'emploi mas não to gostando muito não. Ela não me escuta. Ela cismou que eu fazia um trabalho x no Brasil e não consegue parar um minuto pra me ouvir e entender o que eu realmente fazia. Tudo tem que ser totalmente regrado. Você precisa fazer as coisas exatamente do jeito que eles querem, só que eu não funciono assim. Detesto que me digam o que fazer e como fazer se eu não concordo com o que está sendo dito, ou se não existe ao menos uma forma de diálogo entre as partes. Sei que preciso trabalhar isso porque aqui minha vida profissional será muito diferente do que era no Brasil, mas enfim. Acho que o problema está acima de tudo em mim, que ainda não sabe o que quer direito da vida, e a conseillère precisa de objetivos claros para trabalhar, o que torna este processo todo mais difícil. Mas eu já imaginava que seria assim. Preciso de foco. E depois muito empenho e alguma sorte. À suivre...

E pra terminar fiquem com algumas fotinhos desses dois meses de Canadá, mais especificamente Montréal, porque eu ainda não saí da ilha.

Le Village
Belvédère Kondiaronk du Mont-Royal
Praticando francês na rua
Basilique Notre-Dame
Poutine com pepperoni do La Banquise
Calor de mais de 30ºC

À la prochaine mes amis!
Bisous!


terça-feira, 30 de abril de 2013

Cargué dans ma chaise - Quoi?

Hello people,

Esses últimos dias aqui tem sido muito corridos e um post contando mais sobre o que tem acontecido por aqui vai ficar pro fim da semana. Mas pra não deixar o blog às moscas e vou compartilhar uma música que ouvi num comercial da L'Aubainerie e que depois descobri que é de uma banca acadie chamada Radio Radio e que canta em chiac (uma mistura de francês com inglês).
Eu to viciada na música... minha coloc (que é uma pessoa mega empolgada diga-se de passagem) adora Radio Radio e já está até querendo descobrir quando é o próximo show deles aqui pra nós irmos...

Bom, o exercício consiste em ouvir a música e tentar entender alguma coisa. Só depois vale olhar a letra, ok?
E se você não entender nada é porque assim como eu você também não fala chiac.



Game over 
Prend mes leftovers 
J'su deaf tone baraque 
Dans le fuck qu'est bernak 
Sur le catwalk 
Text mon laptop 
La nuit est calme 
Faut que j'impress les dames 
Avec ma lazy walk boy ej m'enjoy 
Une bonne p'tite drink c'est une almond joy 
All inclusive non 
Intrusive 
Jasé, jasé, jasé, jasé 
Cargué dans ma chaise 
À la sortie d'la maze 
Belle smile belle plume 
Tu t'sentirais à l'aise 
De dire quoi c'qu'tu veux 
Si qu'tu veux Security est clearée 
So tout se peut 
Pour une smile 
Belle plume S'envole 
Lagos portal 
I'm a fly away 
33tours 33 journées 
Avantqu'on réalise 
Même yousqu'on est
On est carqué dans ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Tout le monde est icitte 
Sur même lunar phase 
On est carqué dans ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Y'a d'autres affaires à faire 
Mais y'a vraiment rien qui presse
On est carqué dan ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Ça icitte c'est mon lazy boy 
On est carqué dan ma chaise 
Car-carqué dans ma chaise 
Jasé, jasé, jasé, jasé
Carqué dan ma chaise 
Le guy est à l'aise 
Le feu qui brasse 
Pis y check-out la braise 
Le temp sont bons 
Super duper freaky bons 
C'est le two-step front 
Le one-tep back 
Shake ton tchu 
Sweat it out 
Relax
Dinner in the sun c'est une bonne idée 
Y'a d'la place sur le couch 
Veux-tu t'installer? 
Jasé, jasé, jasé, jasé 
Y me faut du mouth to mouth 
Veux-tu t'installer?
J'su relax, t'es relax, c'est relax so


Bisous!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Teoria das Janelas Partidas

Uma amiga compartilhou este texto e resolvi compartilhar também pois acredito que ele muito se aplica à realidade mundial. E neste momento da minha vida é impossível lê-lo sem traçar paralelos entre o Brasil e meu país adotivo. 


"Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.

Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito.
Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e da esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.
Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?
Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o "vale tudo". Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.
Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade) , estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estacões, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'.
A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão 'Tolerância Zero' soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja
em nosso bairro, na vila ou condominio onde vivemos, não só em cidades grandes.
A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc.
Pense nisso!"
Autor desconhecido

Bom carnaval pra vocês galera (no meu caso, trabalho, tv, chuva, comidinhas calóricas e conversas gostosas com pessoas queridas).

Bisous!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Aumento de homicídios no Canadá em 2011


O número de homicídios no Canadá em 2011 aumentou. Trata-se da primeira alta registrada nos útlimos três anos, totalizando 598 homicídios em 2011 contra 554 no ano anterior. No Québec houve um aumento de 84 para 105 mortes entre 2010 e 2011, passando de 1,06 para 1,32 o número de homicídios a cada 100 mil habitantes. A província menos violenta é a de Yukon que não registrou nenhum homicídio em 2011, seguida pela Île-du-Price-Édouard, com apenas um e uma taxa de 0,69 a cada 100 mil moradores. A província mais violenta é Nanuvat com uma taxa de 21,01 mortes a cada 100 mil habitantes (apesar de só ter havido lá 7 homicídios - e como não mora ninguém lá, 7 já vira um número assustador!).
Só para comparar, segundo relatório da UNODC, o Brasil apresentou em 2009 uma taxa de 21,7 homicídios por 100 mil habitantes, quase o mesmo índice de violência de Nanuvat!
Com certeza depois dessa matança desenfreada que está ocorrendo em São Paulo esses números vão aumentar em 2012. 


Taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes no Brasil (por estado)



Para ler a reportagem na íntegra sobre os números canadenses clique aqui.
Para ler sobre as taxas de homicídio ao redor do mundo clique aqui.

Ai, esse assunto pesou! Prometo que o próximo post será mais leve!
Bisous

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mexidão canadense

Oi povo. Como eu estou meio preguiçosa essa semana para escrever no blog resolvi fazer este post rapidinho com um vídeo que a Julia postou no facebook. É um curta-metragem documental que mostra um pouquinho da pluralidade cultural de Montréal através da história de uma família com origens diversas.
Mas o que eu mais gostei foi o modo como estes pais estão criando e educando seus filhos. Aprovadíssimo!


Bisous!

sábado, 17 de novembro de 2012

What do you know about Brazil?

O vídeo abaixo foi feito por brasileiros e perguntou a varios canadenses (ou residentes no Canadá) o que eles sabem sobre o Brasil. Parece-me (não tenho certeza) que os entrevistados eram estudantes da Brock University, em Ontario.



Não sei se a edição cortou as respostas corretas, mas se não... what a shame!
Eu como amante de geografia e eterna curiosa sobre outras culturas fiquei chateada. E o rapaz que mais sabia sobre o Brasil parecia não ser canadense after all! Parabéns pra ele!

Bisous!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Charlevoix

Todo dia quando abro meu computador vejo uma foto nova do projeto La Terre vue du ciel do fotógrafo Yann Arthus Bertrand. E hoje era uma foto das florestas da região de Charlevoix no Québec durante o outono. Não resisti e tive que postar.



O Canadá é muito lindo!!!

PS: Pra quem interessar neste post tem mais informações sobre La Terre vue du ciel.

Bisous!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Malandragem canadense

Infelizmente o famoso "jeitinho" não é exclusividade brazuca não (mas isso eu já sabia).
Olha só o que eu vi hoje no site do LaPresse: estão vendendo na internet um equipamento que acionado via controle remoto cobre a placa do carro, impedindo assim que o radar fotográfico identifique o veículo que passa acima da velocidade máxima permitida.

Leia a matéria aqui.


Fala sério! J'en marre!

Bisous!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Obama ganhou. E o Canadá com isso?

Eu sempre tive mais simpatia pelos democratas que pelos republicanos. Não que eu defenda um partido ou um político específico (sou muito nada engajada politicamente, aqui, acolá ou em qualquer lugar do mundo), mas não curto os republicanos. Não sei se é marra da época do cretino do Bush ou se é mais porque eles são conservadores... anyway. O que interessa na verdade é o que a continuação ou mudança na vida política americana influencia no resto do mundo. E lendo o blog de economia do Gérald Fillion pesquei esse trechinho aqui que fala de como o Canadá se comporta historicamente de acordo com o partido que está no governo americano:


 "Le professeur Pierre Martin de l’Université de Montréal a écrit un papier fort instructif à la fin octobre sur l’impact économique des choix politiques des Américains. On y apprend que, contrairement à la croyance populaire, le Canada profite généralement beaucoup plus de la présence d’un Démocrate à la présidence que d’un Républicain.
Ainsi, en moyenne, depuis 1961, la croissance du PIB au Canada dans l’année suivant l’élection d’un président démocrate est de 2,92 % alors qu’elle n’est que de 1,34 % quand le président élu est un Républicain. Aussi, sous les administrations démocrates, le taux de chômage au Canada a été 1,1 point de pourcentage inférieur à celui sous les administrations républicaines. Et surtout, depuis les années 50, la production manufacturière du Canada a progressé de 5,7 % en moyenne par année sous un président démocrate comparativement à 1,7 % sous un président républicain."
Eu não sabia desse estudo mas já fiquei um pouquinho mais contente pelos democratas terem levado essa. Mas não  me empolgo não. Vamos ver o que vem pela frente...
Bisous!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Que Canadá você quer?

Saiu hoje o relatório do Canadian Index Wellbeing que revela que a qualidade de vida dos canadenses está em declínio. Eu diria que ela não está em declínio, mas sim declinou nos últimos dois anos pesquisados. A pesquisa mostra que enquanto o PIB canadense cresceu 28,9% nos últimos 17 anos, a qualidade de vida só aumentou 5,7%. O interessante é que ao divulgar os dados coletados eles propoem ao leitor uma indagação sobre o futuro do país e porque o aumento do bem estar social não segue o mesmo ritmo do crescimento econômico.

"In these uncertain times, we are fortunate to live in a country where we still have choices about how we want the future to look. Each of us has the power to voice – or not – our choices about the kind of society in which we want to live. The CIW provides a depth of understanding that can help steer Canada forward and build a society that responds to the global call for greater fairness. We challenge you to start talking about the future you want, so that all Canadians can enjoy the highest possible wellbeing status."
https://uwaterloo.ca/canadian-index-wellbeing/


Quer ler na íntegra? Clique aqui.

How are Canadians really doing? - The 2012 CIW report (PDF)











Bisous!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Terremoto

Acho que já tá todo mundo sabendo que teve um terremotozinho na região de Montréal. Abri o fb agora e não resisti: copiei e colei.


O que Mme. Marois tem a dizer sobre isso?

Bisous!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Écofrais

Écofrais? Frais?
Sim, frais!
Mais uma novidade na hora de passar no caixa no Québec. Desde segunda-feira uma nova taxa será adicionada ao preço dos produtos eletrônicos no Québec. É a écofrais. Funciona mais ou menos assim: cada tipo de produto terá um valor fixo que será pago a mais (não é um imposto, é uma taxa). Esse dinheiro será direcionado à reciclagem dos mesmos quando chegar a hora do seu descarte. O valor da taxa, que varia entre 0,10 $ (celulares e pagers) e 42,50 $ (televisores acima de 29") foi estipulado levando-se em conta o preço do produto e sua dificuldade de reciclagem. Para entender melhor clique aqui.

Acho de extrema importância que se recicle ou seja dado o devido tratamento para toda essa parafernália eletrônica que temos hoje em dia e que só faz crescer. E nada mais justo que nós próprios consumidores paguemos por isso. Mas... depois de ver tantos escândalos ultimamente fico me perguntando se esse dinheiro chegará mesmo ao seu destino final ou vai acontecer que nem aqui com a tal da CPMF (lembram?) que era pra ser destinada à saúde. Enfim, quero acreditar que a máfia italiana e seus amiguinhos corruptos que estão no poder ainda se contentam apenas com o setor da construção.
É claro que a minha cabeça, acostumada à tanta sacanagem durante anos, pensa primeiro na corrupção. Mas o que eu achei interessante foram os comentários dos leitores. Em geral eu sempre leio os comentários. Acho que podemos aprender muito sobre como funciona uma sociedade, como a maioria das pessoas pensa, para que lado a balança pende mais, se o povo é mais direita ou esquerda, se está feliz com o governo ou não, etc. E nesse caso o que eu vi foi que a maioria das pessoas não gostou nada nada dessa taxa nova. É gente, o povo tá preocupado com a economia do Québec. Muitos reclamam que os impostos lá já são os mais caros da América do Norte e muita gente anda indo para outras províncias ou até mesmo para os Estados Unidos fazer suas compras. Menos compras no Québec, menos arrecadação de imposto pro governo, menor giro da economia, queda nas vendas, demissões, perda do poder de compra e por aí vai. Eu particularmente acho meio exagerado esse ponto de vista, mas no fundo o que o povo tá querendo dizer é que o mar já não está pra peixe e eles estão com medo de que as coisas só piorem. O mercado está mega receoso com o governo pequista, muitos boatos surgindo, empresas falando em deixar a província, incertezas e mais incertezas no ar.
A única certeza que eu tenho é que economizar é preciso. Aqui ou acolá a vida não tá barata não!

Bisous!




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

BonjourHi


Estava ouvindo Funeral do Arcade Fire hoje e resolvi postar duas músicas desse álbum que eu adoro. Xi, ficou dúbio. São as músicas que eu adoro ou é o álbum que eu adoro? Bom, são os dois. Adoro Arcade Fire!

E em homenagem à Montréal escolhi duas músicas que misturam inglês e francês, bem no espírito linguístico da cidade onde "oi" não é nem bonjour nem hi. É bonjourhi.

Enjoy mes amis! / Profitez-en my friends!

Une Année Sans Lumière


Hey! The streetlights all burnt out.
Une année sans lumière.
Je monte un cheval,
qui porte des œillères.

Hey, my eyes are shooting sparks,
la nuit, mes yeux t'éclairent.
Ne dis pas à ton pere
qu'il porte des œillères.

Hey, your old man should know,
if you see a shadow,
there's something there.

So hey! my eyes are shooting sparks,
la nuit mes yeux t'éclairent,
ne dis pas à ton pere
qu'il porte des oeillieres.

Hey, your old man should know,
if you see a shadow,
there's something there

Haïti


Haïti, mon pays,
wounded mother I'll never see.
Ma famille set me free.
Throw my ashes into the sea.

Mes cousins jamais nés
hantent les nuits de Duvalier.
Rien n'arrete nos esprits.
Guns can't kill what soldiers can't see.

In the forest we lie hiding,
unmarked graves where flowers grow.
Hear the soldiers angry yelling,
in the river we will go.

Tous les morts-nés forment une armée,
soon we will reclaim the earth.
All the tears and all the bodies
bring about our second birth.

Haïti, never free,
n'ai pas peur de sonner l'alarme.
Tes enfants sont partis,
In those days their blood was still warm


Bisous!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

E agora, José?


Como fazer um post positivo quando se está depressivo? Tá, ok, não vou exagerar: não estou depressiva, mas ando bem chateada. Todo esse embromation do consulado tem me deixado com a pulga atrás da orelha. Estou cada vez com mais medo de que esse processo acabe em um “Au revoir. Le Québec ne te veux plus.” E eu só fico pensando que já se foram quase 3 anos de espera, vou ficar esperando até mais junho de 2013 ( que é a data que eu acho que o visto sai, se sair) e se até lá nada acontecer, sem vistos, sem notícias, sem novidades? Aí acho que ta na hora de vestir a camiseta de otário e se ligar que perdi quatro anos da minha vida e um tantão de dinheiro numa ilusão. Por enquanto continuo me recusando a pensar que esse processo não vai vingar. Mas vamos ser realistas, a coisa não ta andando gente! E não é porque tem muito pedido de visto de turista, não é porque tem uma avalanche de pedidos de dezembro e janeiro, não é porque ta faltando mão de obra no consulado. Acho que o visto não sai porque o Canadá não quer que saia. E ponto. 


Só me faz o favor de dizer a verdade: vai rolar ou não vai? Se for, mesmo que demore, eu espero. Eu sento e espero. Mas o que não dá é pra ficar alimentando uma esperança vã. Deixar de tocar a vida, de agilizar um plano B, de mudar de projeto completamente, na cega esperança de que esse visto um dia sai.
Estou triste. Triste comigo mesma por ter colocado todos os meus ovos no mesmo cesto. Justo eu que sempre fui tão prevenida. Lições que a vida nos ensina. E quando tudo isso acabar, aconteça o que acontecer, uma certeza eu já tenho: sairei mais forte do que entrei. E é nisso que eu preciso focar.

PS: Hoje completo 19 meses de processo total. Daqui duas semanas serão 16 meses de federal. Ainda bem que eu coloquei o Daisypath no bloguinho porque se não acho que já teria perdido as contas!

Bisous!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fui em busca de sombra e água fresca...

voltei gorda de tanto beber cerveja e ainda mais noiada com a imigração.


Estava de férias. Me, myself and my blog.
Pra falar a verdade o blog anda de férias já faz meses. Um mísero post aqui, outro mais mísero ainda acolá e nessa vou empurrando com a barriga pra não matar o bloguito de vez. Descobri que mais gosto é de ler os blogs alheios do que escrever no meu. Mas não desistirei tão fácil assim dele. Um dia ainda sonho poder contar para os meus poucos leitores sobre a minha despedida no aeroporto, minha chegada em Montreal, minha busca por um teto, um trabalho, um novo hobby, um boyfriend quebeca (por que não?), minhas novas dores e delícias da vida.

Enquanto esses dias longínquos não chegam, sigo a praguejar o maldito calor brasileiro (35°C nesse momento, ainda é inverno, não chove há uns 80 dias aqui), a praguejar os malditos políticos brasileiros (hoje o candidato a prefeito e seu vice foram no meu trabalho se apresentar e apertar a minha mão. #édechorar! Faltou pouco pra eu perguntar pro vice - atual vereador, se ele estava conseguindo comprar o leitinho das crianças com o aumento de salário que ele se deu (de R$ 5 mil e tra lá lá para R$ 10 mil). Não vejo a hora de poder praguejar o maldito inverno québécois e os malditos políticos canadenses. Porque pelo que andei lendo por aí eles são mesmo todos iguais.
E para não dizerem que sou uma alma totalmente perdida quero muito algum dia acreditar nos políticos (pelo menos um que seja), mas por enquanto sigo descrente mesmo.

As férias:  ah, foram ótimas. Cansei pra caramba, andei muito, fiquei com calo no pé, voltei cheia de sardas (brilhante idéia de ir pra Espanha no verão! Mas é que eu sempre sonhei em conhecer a Espanha no verão, fazer o quê? Nem eu me entendo às vezes.) e definitivamente concluí que nóis é pobre mais é limpinho. (ok, eu já havia concluído isso outras vezes, mas é que cada vez isso fica mais evidente). Pelo amor... a P&G, Unilever e cia tão comendo mosca:  tem um mercado enorme de europeus que ainda não foram apresentados ao desodorante, ao sabonete e ao sabão em pó!

Bom, mas voltando aos meus devaneios: eu tava com um certo medinho de ir pra Europa nessa etapa do campeonato da imigração. É porque meu objetivo número um sempre foi me mudar pra Europa e não pro Canadá. Mas circunstâncias da vida e novas idéias na cabeça me fizeram tentar a sorte na terra do sirop d’érable.

Aí fiquei com medo de ter uma recaída e me apaixonar pela Europa de novo e ficar cheia de nóias na cabeça, pensando se o Canadá é mesmo o que eu quero. Acontece que eu voltei ainda mais certa de que o Canadá é mesmo o meu lugar. Qualquer coisa que eu fazia, qualquer lugar que eu ia, tudo o que eu comprava eu sempre comparava com o Canadá. E ficava pensando: lá no Canadá é melhor! Lógico que nem sempre no Canadá é melhor, por exemplo, lá não tem trem de alta velocidade (já li que estão querendo implantar, mas to achando que vai ser que nem esse trem Campinas, SP, Rio – não vai sair nunca!), mas “le coeur a ses raisons que la raison ne connaît point”. Resumindo: passei a viagem inteira pensando no Canadá. Eu só conseguia pensar em como o Canadá é mais organizado*, as pessoas são mais educadas (muito mais educadas que os espanhóis com certeza), as ruas são mais limpas... voltei com mais vontade ainda de pegar logo esse visto e me mandar pro gelo.

E aí quando eu chego na terra tupiniquim, o aeroporto de Guarulhos me recebe de braços abertos jogando na minha cara: bem-vinda ao Brasil! 50 minutos de fila (se é que podemos chamar assim) desde sair do avião até chegar na esteira, onde as malas estavam todas amontoadas uma por cima das outras, já sendo jogadas no chão por falta de espaço.  O principal aeroporto do país que vai receber a Copa em menos de dois anos não dá conta de receber 3 voos internacionais em um intervalo de menos de uma hora. E aí mais uma vez eu só consigo pensar que quando a Copa chegar eu já não estarei mais aqui. Será?
Aguardem as cenas do próximo capítulo, digo, post.

rua da minha casita em Montréal no outono de 2010


*Tá certo que a Espanha não é o primeiro mundo do primeiro mundo e que eles estão em crise (apesar de eu não ter visto a tal crise não, exceto por alguns mendigos nas ruas, mas isso tem em toda cidade grande).

Bisous!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Les rêveries de juillet


Ando procrastinando há dias. Quando sento na frente do computador para escrever no blog eu desanimo e deixo pra lá. E nessa vai se passando o tempo e os sentimentos na minha cabeça e no meu coração vão oscilando, oscilando e chego a um ponto em que não sei mais o que pensar, o que fazer.

Tenho tentado me manter sã com relação ao processo. Coloquei na cabeça que antes de junho de 2013 o processo não acaba. Acho que isso foi bom porque pelo menos assim eu não fico mais contanto os dias e sofrendo com a demora insana do consulado. O único problema vai ser se passar de junho do ano que vem. Tenho visto muitos pedidos de exames chegando pra galera de dezembro e janeiro o que ratifica minha esperança de que o processo vai andar sim.

Este mês fiquei bem mal (fico toda vez que paro pra pensar na verdade) quando me dei conta que lá se vai mais um ano da minha vida e eu aqui no stand-by. Vejo meus familiares, meus amigos, alguns conhecidos, progredindo, sendo promovidos, começando cursos, comprando casas, investindo para o futuro e eu olho pra mim e nada. Mais um ano vai se passar e eu aqui na mesma: sem me achar profissionalmente, com minhas economias paradas, sem poder tomar grandes decisões, sem uma vida social satisfatória e outras. Dá um aperto no peito. Sei que foi escolha minha, mas uma escolha que não sabia que duraria tanto tempo para ser concretizada. E o mais angustiante é saber que mesmo depois de tanto esforço pode ser que não dê em nada, que o visto não saia e eu fique a ver navios. Haja força mental.

Depois de passar dias pensando nisso tentei esquecer um pouco esse processo e gastei meu tempo livre planejando minhas férias. Foi muito bom ficar mentalmente distante disso tudo, mas ao mesmo tempo eu acabei perdendo o foco e faz mais de um mês que não estudo.

Agora eu arranjei outra distração: as Olimpíadas. Amo esporte, sempre sonhei em assistir uma Olimpíada in loco e quem sabe um dia não realizo meu sonho. Enquanto isso me contento, e bastante, com os 4 canais do Sportv. Aliás eu estou torcendo pro Canadá tanto quanto para o Brasil (foi uma pena o Raonic perder pro Tsonga no 48° game do terceiro set – a partida de tênis mais longa da história das Olimpíadas).

Nos últimos meses eu entrei num estado de inércia para com a situação do Brasil. Não leio mais jornal, não assisto TV, não quero saber do que se passa na política, na sociedade, na cultura... cansei. Achei melhor não saber pois tudo me faz querer fugir daqui o mais rápido possível. Infelizmente esse ano tem as malditas eleições e os malditos panfletos dos políticos bandidos e caras de pau se amontoam nas calçadas me fazendo lembrar da política suja e corrupta desse país. Tenho nojo. Tenho muito nojo. Gente que não sabe escrever o próprio nome se candidatando a vereador. Vão legislar o quê? Não consigo acreditar na idoneidade de político algum. O pior é quando vejo pessoas conhecidas entrando (ou querendo entrar) nesse mar de sujeira. Pra ganhar seus 10k todo mês sem ter trabalho algum. Fora o que levam por debaixo do pano. Fico p. Fico arrasada.

Um amigo agora é professor de física do Ensino Médio em MG. A orientação da diretoria da escola é: “aprova todo mundo porque se os alunos não apresentarem boas notas nós não recebemos verba”, mesmo quando vários alunos confessaram que não sabem ler nem escrever e não sabem o que estão fazendo ali pois não entendem absolutamente nada da aula.
Sim. Isso me fez lembrar uma ex-funcionária minha que era formada no Ensino Médio e não sabia o que era adição e subtração. Não preciso falar do resto né. Isso porque eu não moro no sertão nordestino ou numa aldeia longínqua do Pará.

Cansei de tudo isso. Cansei desse povo ignorante. Cansei dos malditos carros de som passando com volume ensurdecedor na frente do meu trabalho a cada 5 minutos. Daqui a um mês será um carro de som a cada minuto, com musiquinhas grudentas e desafinadas vangloriando esses políticos de merda. Cansei de tanto buraco nas ruas. Cansei de pagar imposto e pagar também educação, segurança, saúde. Cansei de ficar com medo toda vez que o telefone toca em horas impróprias achando que é o pessoal do sistema de alarme. Cansei de ter que sair de casa no meio da noite para checar se não tem arrombamento no local do meu trabalho porque o alarme não para de disparar. Cansei de ver gente sendo assaltada à mão armada na rua do meu trabalho (que é em frente a um banco). Cansei de ver gerente de banco semi-analfabeto porque nesse país a educação não é valorizada e todo mundo escreve e fala errado e tá tudo bem.  Cansei de pagar caro, muito caro, por serviços mal prestados. Cansei de ver o preço de tudo no Brasil escalonar absurdamente, só o meu salário que não. Cansei de ver tanta miséria, falta de atendimento hospitalar, falta de salas de aula, professores extremamente mal remunerados, e o governo gastando os tubos construindo estádios de futebol (e muitos inclusive se tornarão grandes elefantes brancos depois da Copa).

Cansei de tanta coisa que cansei até de listar. O pior é que eu sei que vou continuar cansando dessas mesmas coisas e de tantas outras não importa onde eu esteja. Mas eu preciso tentar descansar. A vida tem que ser mais que isso. Mais do que ter que fechar os olhos para tudo ou viver reclamando.

On y va, on y va,  vamos tentar!

E pra completar o post, um resumão do timeline de julho:

17 meses desde o envio do meu dossiê para o BIQ
13 meses de processo federal
1 ano de blog
e hoje 6 anos sem meu pai. Dói demais. Sempre penso o que ele acharia da minha decisão. Acredito que teria seu apoio, afinal o que ele sempre quis foi me ver feliz.

Et c’est la vie! Vem agosto lindo, vem. Vem que minhas férias tão chegando!!!

Bisous!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Canadian TV/Télé Canadienne #7: Tou.tv

Este post vai pra quem é fã da teledramaturgia québécoise e/ou gosta de aprender francês de um jeito mais gostoso e descontraído: vendo TV, é claro!
Até pouco tempo atrás o conteúdo online da Tou.tv (da Radio-Canada) era fechado para quem estava fora do Canadá. Mas agora eles estão com um canal no Youtube, possibilitando a quem está no Brasil assistir seus programas e séries.

Tem muita coisa que eu não vi ainda e dos que vi Les Parent continua sendo meu favorito. Também adoro assistir L'épicerie que traz dicas muito legais sobre alimentos, testa diferentes utensílios domésticos, faz enquetes sobre a preferência do consumidor acerca de um determinado produto, além de nos dar uma boa idéia da vida do québécois quando se trata de alimentação.




E você, qual seu programa preferido da Tou.tv?

Bisous!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vergonha de ser canadense ou vergonha de ser humano?

                  colagem de Joana Cocarelli
A semana toda eu abro os jornais, ligo a TV e é Rio+20 pra cá, Rio+20 pra lá. Confesso que eu acho que todas essas reuniões não vão dar em nada, mas ao mesmo tempo penso ser de extrema importância levantarmos questões e discutirmos soluções para os novos (e velhos) desafios que o mundo nos impõe.

E dando minha zapeada diária pela internet achei a matéria abaixo onde li "I apologize in advance, but I'm from Canada."

At Rio+20, I find myself ashamed of being Canadian




Rio de Janeiro – “I apologize in advance, but I’m from Canada.”
That’s the way I’ve been introducing myself in recent days at the Rio+20 United Nations Conference on Sustainable Development. I am greeted with pity.
It is with a heavy heart that I find myself feeling – along with several other youth and non-governmental-organization delegates here at the conference – ashamed to call myself Canadian.
The pride I wish I had for my country has vanished among repeated failures on the part of Canada to play an active role in climate negotiations.
At the last Conference of the Parties (the United Nations Conference on Climate Change), held in Durban, South Africa, in 2011, Canada won so many “Fossil of the Day” awards that it was given a Lifetime Achievement Award.
Now, in Brazil, Canada is again in the international spotlight for all the wrong reasons.
On Sunday, Premier Jean Charest presented his Plan Nord – a “new global model for sustainable development,” as he called it. He talked about the social and environmental benefits of exploiting the natural resources of an area of boreal forest the size of France.
Is this, as the Rio+20 slogan goes, “the future we want for ourselves and for our children”?
Is this the direction our society is headed? Where is the realization that our resources are finite and need to be protected?
Our negotiators on the international stage have the power to change the way we manage the environment in order to protect it. Yet the Canada I see now is a Canada that has no intention of progressing in terms of environmental issues.
Instead, I see myself living in a country that is regressing, withdrawing from its previous commitments and subsidizing polluting industries such as the oilsands to the tune of billions, all the while cutting environmental programs.
One may argue that economic development is needed to avert an economic crisis. But what about our growing global environmental crisis? As a young adult, I am beginning to get the sense that our elected officials are not representing our best long-term interests and are not caring for the well-being of our country and the global environment beyond the next election.
As a community organizer and environmental advocate, I dedicate most of my free time toward making our world a better place in which to live. But where is the leadership at the governmental level?
Our leaders need to realize that the time to act is now, and that if nothing is done, this Rio+20 conference will go down in history as a failure.
Climate change is not an issue that can be dealt with sometime later.
I sincerely hope I can be proud to call myself a Canadian again, although I somehow cannot bring myself to believe that this will be anytime soon.
Leehi Yonaof Dollard des Ormeaux is a student at Marianopolis College and a youth delegate at this week’s United Nations Rio+20 United Nations Conference on Sustainable Development.



Após a leitura fiquei pensando: será que os canadenses são os únicos que precisam se desculpar? Ou é o mundo todo que está em falta com o meio ambiente? Será que o problema são os políticos? Mas quem elege os políticos?
Talvez eu escrevesse: I apologize in advance, but I'm human. And despite everything I've been done so far, I'm willing to change my attitude towards a better world for me, for us and for the future generations.

Bisous!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

You know you're from Montreal when:

• You pronounce it "Muntreal", not "Mahntreal".
• You have ever said anything like "I have to stop at the guichet before we get to the dep."
• Your only concern about jaywalking is getting a ticket.
• You agree that Montréal drivers are crazy, but you're secretly proud of their nerves of steel.
• The most exciting thing about the South Shore is that you can turn right on a red.
• You know that the West Island is not a separate geographical formation.
• You bring smoked meat from Schwartz's and bagels from St-Viateur if you're visiting anyone.
• You refer to Tremblant as "up North."
• You know how to pronounce Pie-IX.
• You greet everyone, you meet with a two-cheek kiss.
• You're not impressed with hardwood floors.
• You can watch soft-core porn on broadcast TV, and this has been true for at least 25 years.
• You were drinking café-au-lait before it was latte.
• Shopper's Drug Mart is Pharmaprix and Staples is Bureau en gros, and PFK is finger lickin' good.
• You really believe Just For Laughs is an international festival. For two weeks a year.
• Everyone, – drivers, pedestrians, and cyclists – think they're immortal, and that you'll move first.
• You're proud that Montréal is home of the Great Antonio...
• You know that Rocket Richard had nothing to do with astrophysics.
• You've seen Brother André's heart.
• No matter how bilingual you are, you still don't understand "île aux tourtes."
• You know the difference between the SQ, the SAQ, and the SAAQ.
• You measure temperature and distance in metric, but weight and height in Imperial measure.
• You show up at a party at 11 p.m. and no one else is there yet.
• You know that Montréal is responsible for introducing to North America: bagels, souvlaki, smoked meat.
• You don't drink pop or soda, you drink soft drinks.
• You have graduated from high school and have a degree, but you've never been in grade 12.
• There has to be at least 30 cm of snow on the ground in 24 hours to consider it too snowy to drive.
• You remember where you were during the Ice Storm.
• You used to be an Expos fan, but now all you really miss is Youppi.
• You know that your city's reputation is for beautiful women.
• You discuss potholes like most people discuss weather.
• "The Futuristic City" is actually Habitat '67.
• You find it amusing when people from outside Québec compliment you on how good your English is.
• You have yet to understand a single announcement made on the Métro PA system.
• You think of Old Montréal as nothing but a bunch of over-priced restaurants, old buildings.
• You understand that La Fête Nationale is not a celebration of "Québec's birthday"
• You don't find American comedians speaking "gibberish" French even remotely funny.
• You don't find it weird that there's a strip club on every corner downtown.
• You know the words to the national anthem in French.
• You often switch from "heat" to "A/C" in the same day.
• You use a down comforter in the summer.
• Your parents drive at 120km/h through 13 feet of snow during a blizzard, without flinching.
• You carry jumper cables in your car and your girlfriend knows how to use them.
• You design your kid's Halloween costume to fit over a snowsuit.
• Driving is better in the winter because the potholes are filled with snow.
• You know all 4 seasons: almost winter, winter, still winter, and construction.
• You don't understand anyone from Lac-St-Jean, but you can fake the accent.


Seria melhor se a lista estivesse em francês, mas tudo bem... Montreal é bilingue mesmo.
Eu ainda nem comecei, mas um dia quem sabe eu não tico toda a lista? Ou se não tico eu critico, pois aí já terei minha opinião formada sobre como é o vrai montréalais.


Bisous!