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domingo, 14 de abril de 2013

Bonjour Montréal!



Bonjour tout le monde!

Agora escrevendo diretamente da minha nova cidade, Montréal.

Esses primeiros dias por aqui foram meio corridos e cansativos. Até tive tempo de escrever antes, mas pra falar a verdade eu tava morrendo de preguiça.  Então, pra matar a curiosidade de alguns, ajudar em possíveis dúvidas de outros e principalmente pra ficar registrado aqui, para que eu possa ler e reler no futuro, aqui vai um resumão do que aconteceu até agora.

Passei a quarta de manhã com minhas irmãs e teve horas que tive que respirar bem fundo porque achava que não ia conseguir. Eu olhava pra elas e me batia uma agonia terrível, sentia dor no peito, sintomas físicos mesmo. Foi bem difícil, eu sou muito ligada à minha família e principalmente às minhas irmãs, somos muito grudadas. Mas eu já sabia que seria assim.

Meu voo saiu de Garulhos na quarta à noite com conexão em Miami pela AA. Na época que comprei a passagem não achei nenhuma promoção e não consegui usar as milhas que eu tinha. Pra ficar mais barato comprei as milhas necessárias para o voo só de ida pela AA (a mais barata que achei) e assim acabei gastando quase a metade do valor que gastaria comprando uma passagem ida e volta ou só de ida (que não sei porque custa mais caro que a de ida e volta). Quis fazer conexão em Miami porque o avião que sai de NY pra Montréal é tão pequeno que a mala de mão não fica com você e é um teco-teco que chega a dar medo! O voo foi tranquilo, tomei um remedinho e dormi quase a viagem toda. Chegando em Miami, para minha total surpresa, fila de mais de duas horas para passar na imigração. E não adiantava falar que você ia perder sua conexão porque eles não tavam nem aí. Cheguei na fila da imigração as 5h30 e meu voo saia as 8h20, com embarque as 7h20. Fui passar no guichet já era 7h40. Ainda tinha que ir até a esteira, pegar as malas, ir para o outro lado do aeroporto, despachar as malas de novo, passar no raio X e chegar no meu portão de embarque que pra minha sorte era um dos últimos! Aí eu saí correndo pelo aeroporto me sentindo como se estivesse no Amazing Race. No fim consegui embarcar e tive ainda a sorte de sentar na janela com duas poltronas vazias do meu lado.

Chegando em Montréal fui tudo super tranquilo. Passei na primeira imigração, na fila dos turistas. Cinco minutinhos de fila e fui atendida. Me pediram passaporte, CRP e CSQ e me falaram para pegar as malas e depois passar pela outra imigração. Peguei as malas, coloquei no carrinho (de graça by the way – em Miami tive que pagar $5.00 pra usar o carrinho) e fui me dirigindo à saída. Quando você entrega o formulário que te pedem pra preencher no avião eles vêem que você é imigrante e te direcionam para outra sala onde você faz o landing propriamente dito. Lá também não havia fila alguma e fui atendida por um oriental muito simpático que conversou comigo metade em francês, metade em inglês, perguntou do meu bairro, falou que morava aqui perto, bla bla bla, me explicou tudo, perguntou quanto eu trazia de dinheiro (não pediu pra ver nada), perguntou o que tinha na mala e quanto valia tudo (a única coisa que ele pediu pra ver foi meu notebook) e só. Ele me encaminhou então pra uma outra salinha onde te dão orientação sobre os serviços oferecidos pelo governo do Québec. A moça me entregou uns folhetos, perguntou se eu tinha feito o SIEL, eu disse que sim, ela perguntou se eu tinha alguma dúvida, falei que não e pronto. A verdade é que eu tava tão cansada que não ia ficar perguntando nada lá pra ela. E acho que eles supõem que quem fez o SIEL já tem todas as informações então não ficam se prolongando muito não.
Saí do aeroporto, peguei um taxi com um haitiano que me perguntou sobre o Ronaldo, só pra variar, cheguei em casa e minha coloc estava me esperando.

Na sexta feira fui tirar os dois documentos principais: a carte soleil da RAMQ e o NAS. Amanheceu nevando. Acho que São Pedro quis que eu visse um pouquinho de neve antes de primavera chegar de vez. Peguei o metro, recarreguei meu OPUS card (se você já tem um, leve contigo porque ele vale por 4 anos), fui até a RAMQ, nenhuma fila, fiz tudo em menos de 15 minutos. Ficou faltando o comprovante de endereço que eu posso mandar via fax em até 45 dias. Mas já dei entrada e está tudo certo. Ah, tem que tirar uma foto lá na hora e pagar $10,30.
Depois fui no Service Canada pra tirar o NAS. Cheguei na hora do almoço e tinha fila de 1h30. L Esperei né! Após uma hora e pouco fui atendida e em menos de 10 minutos saí de lá com meu comprovante. O cartão deve chegar em até 3 semanas.
Depois fui tentar fazer um plano de telefone mas não tinha os documentos que eles queriam e resolvi deixar pra outro dia. Eles queriam meu NAS mas achei melhor arranjar outro documento pra dar no lugar. Fui na Grande Bibliothèque (sou apaixonada por essa biblioteca) e já revalidei minha carteirinha, também sem muitas burocracias. Fiz a demande en ligne para a francisation temps complet e segunda vou lá no Bureau de Francisation levar uma cópia do CRP.

Ontem visitei uma amiga e hoje vou dar uma volta no parque Angrignon, aqui perto de casa, e aproveitar pra comprar umas caixas pra guardar minhas coisas já que o guarda roupa aqui não cabe nem metade do que eu trouxe, e olha que minhas malas nem chegaram nos 32kg hein!

Estou me sentindo muito acolhida aqui. Todos tem sido simpáticos e receptivos. Já recebi vários convites para diferentes programinhas e gostaria de agradecer a atenção e a  recepção de todos que leem esse blog e me enviam pensamentos positivos e são tão solícitos sempre! Vocês são demais! Com certeza espero retribuir um dia e poder ajudar aos que chegarão depois de mim! 

E amanhã é dia de resolver mais coisas! Tomara que este sol lindo que está fazendo hoje não vá embora tão cedo!

Bisous!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sobre onde vou me hospedar


Lá vai mais um post utilidade pública/vida privada.

Acho que todo mundo que lê esse bloguito de vez em quando já sabe que sou solteira, sem filhos, sem cachorro, sem gato, sem nada. Chegar sozinha facilita em alguns aspectos e complica em outros. Sabendo o que eu queria e quanto estava disposta a pagar tracei um plano A,B e C e não encanei muito pois sabia que na rua eu não ia ficar. Minha primeira alternativa era alugar um quarto mobiliado na casa de alguém. Ia sair bem mais barato que qualquer outra opção com a vantagem de já estar tudo arrumado quando eu chegasse e ainda poder conhecer gente nova já de cara. Um studio me custaria o dobro do preço e eu ficaria sozinha, isolada. Alugar um apê daqui do Brasil estava fora de cogitação. Ficar em hotel também. Não vou gastar minha grana com isso. Havia a opção de ficar numa homestay, mas não tava nem um pouco afim. Então bora procurar um coloc! Quando fui pra Montréal em 2010 aluguei um quarto no apê de uma quebeca pelo craigslist e foi super tranquilo (tirando o fato dela nunca lavar a louça) e resolvi embarcar nessa de novo.


Meu plano era: ficar até 30 de junho  num quarto mobiliado em um apê no centro ou perto de metro, numa casa com no máximo três pessoas (muita gente = muita zona = no, thanks!), com colocs simpáticos, na minha faixa etária, com os quais houvesse chances de socializar e possibilidade de estender minha estadia, caso a experiência desse certo. E lógico, eu teria que ter acesso à toda casa e não só ao quarto!

Ah, e por que 30 de junho? Bem, quero ter tempo de procurar um apê pra mim com calma, sem correria, sem ter que ficar com o primeiro que aparecer. E também porque quem sabe até lá eu já não consegui um emprego (acho difícil mas nunca se sabe) e aí eu já saberei quanto poderei gastar com aluguel pra não ficar mega enforcada e quem sabe até alugar um apê próximo ao trampo? OK ok, isso tudo é viagem, mas a mente é minha e ela viaja pra onde eu quiser, rá!

Voltando à moradia temporária.
Comecei a procurar no craigslits, kijiji, perguntei pros amigos, vasculhei as comunidades do facebook e me cadastrei no easyroommate. E foi por lá que achei minha coloc. Pra falar a verdade foi bem fácil. Há muitas opções disponíveis e os filtros ajudam bastante na pesquisa. No fim das contas havia quatro apês diferentes pra eu escolher e acabei optando por ficar na casa de uma jornalista québécoise de 29 anos que ama viajar - assim como eu, e mora em Verdun. Ela até agora foi muito simpática. Espero que daqui um mês eu possa repetir essa frase.

Bisous!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sobre minha conta canadense no HSBC


Resolvi fazer este post pois muitos imigrantes optam por abrir conta no HSBC e achei legal dar minha
contribuição, afinal eu pesquisei sobre este assunto em tantos blogs e agora é hora de retribuir.

Estava muito preocupada com a abertura da conta canadense. Li muitos relatos de pessoas que tiveram vários problemas e demoraram até três meses para conseguir abrir a tal conta. Abri minha conta lá em novembro de 2011. Durante este período nunca tive problemas, mas também não sou uma pessoa que usa muitos serviços bancários. Em janeiro de 2013 fui ao banco para abrir a conta canadense e meu gerente entrou em contato com o IBC (setor responsável pela abertura das contas internacionais) e o IBC me informou que para abrir a conta eu precisaria enviar cópia do meu passaporte e do meu visto. Só que meu passaporte tava no consulado - e lá permaneceu por dois meses, então tive que esperar meu visto chegar para poder abrir a conta. Meu passaporte com o visto chegou dia 07 de março e dia 08 eu fui no banco. Já ciente dos problemas que estavam ocorrendo com outros correntistas, eu liguei para o IBC para tirar toda e qualquer dúvida sobre o preenchimento do formulário (não adianta perguntar para o gerente, pois quem sabe mesmo como deve ser feito é o IBC) e os documentos a serem enviados. 
Quando cheguei no banco eu fiz meu gerente vistar, assinar e datar todas as folhas que deveriam ser enviadas ao IBC. E depois eu conferi tudo pra ter certeza de que não faltava nada. Como minha agência é no interior o malote com meus documentos só chegou no IBC dia 12, terça. Na segunda feira seguinte, dia 18, minha conta estava aberta. Meu Welcome Kit foi enviado para a casa de uma amiga em Montréal e chegou lá dia 25, uma semana depois da conta aberta. Ou seja, em 18 dias todo o processo foi concluído. Com o número do cartão de débito (que chega no Welcome Kit) você consegue ligar no HSBC e cadastrar um telepin e com isso já dá pra acessar o internet banking e fazer transferências. Fiz uma e o dinheiro caiu na conta canadense em poucas horas. O câmbio cobrado foi de 2,077, maior que a cotação oficial de 1,99, mas menor que nas casas de câmbio (cotei em duas e obtive 2,13 em uma e 2,18 na outra). Também consegui ver que emitiram um cartão de crédito canadense com um limite em dólar equivalente ao que tenho no Brasil em reais.

Depois disso tudo só posso dizer: ponto pro HSBC.
Não sou fã de banco nenhum, aliás, detesto bancos em geral, mas apesar do medo de que não desse tempo, tudo correu bem e rápido. Minha sugestão: não deixe nada na mão dos outros. Há gerentes e gerentes. E muitos deles não sabem mesmo qual o processo para abertura de conta internacional. Na dúvida, ligue no IBC, converse com seu contato lá, se oriente. Se for o caso pergunte ao IBC como seu gerente deve proceder e cobre isso dele depois.

Bisous!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Daqui duas semanas...

uma hora dessas eu estarei no avião rumo à ma nouvelle vie.
Frio na barriga, ansiedade, insônia, ranger de dentes e uma lista interminável de coisas a providenciar. Quando eu risco um item, surgem mais três.
Mas beleza, tudo isso tá dentro do esperado.

Semana passada rolou a primeira despedida. Visitei minhas queridas amigas de faculdade e lógico que no final eu não consegui me segurar e chorei. Nós não nos vemos sempre pois eu moro em outra cidade mas mesmo depois de 10 anos de amizade à uma breve, mas existente, distância, continuamos tão amigas quanto antes, firmes e fortes. Isso só me faz ter ainda mais certeza de que não importa a distância: quando as pessoas querem participar da vida uma das outras, elas sempre dão um jeito, é só querer.

Agora tenho certeza que o tempo vai voar. Essa semana eu nem vi passar. Amanhã vou pra praia, passar o feriado lá. Faz séculos que não vou à praia. Despedida!
Amanhã também será meu último dia de trabalho. Ainda não consigo assimilar muito bem isso, pois é difícil acreditar que possa ser verdade. Eu nasci e cresci no meio deste trabalho. Nunca fiz outra coisa na vida - tirando um estágio de 6 meses na época de facu. É estranho. Por mais que eu esteja indo embora de vez, pra ficar, eu sempre fico pensando que nunca vou me desligar do meu trabalho aqui. Minha empresa, a empresa da minha família... foi sempre tanto esforço, tanta dedicação, tanto sacrifício e eu não consigo deixar de imaginar que um dia, quando eu voltar de férias, vou acabar voltando pro trabalho, nem que seja por um dia. Não sei porque não consigo me desligar 100%, talvez seja por tudo o que já passei durante esses anos todos. Veremos!

E que venham os próximos dias. E que a lista comece a diminuir, pelo amor...

Bisous!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Enfin, c'est arrivé!

Oi pessoas,

Que coisa estranha. Desde que eu tenho esse blog penso no que escreveria quando meu visto chegasse, todo lindo, todo meu. Chegou enfim o dia de escrever este post. E nem sei o que escrever. 
Ontem à tarde a campainha toca. Eu dou um pulo. De susto e de felicidade. Eu já sabia que era ele, meu visto tão esperado. Vou correndo abrir a porta. Olho nas mãos do carteiro, o envelope pardo estava lá. Sorri. Assinei tudo correndo, abri tudo correndo e quase chorei. Missão cumprida. 

Foram exatos 2 anos e 10 dias de processo. Se eu contar desde o tempo que decidi sair do Brasil de vez, aí  já são mais de três anos. Não me lembro bem quando resolvi ir pro Canada, mas foi um dia à noite, estava pesquisando cidades na internet quando resolvi dar uma chance pro país da Alanis Morissette (era mega fã dela na minha adolescência). Eu primeiro pesquisei Toronto e depois Montréal. Aí pronto, tava decidido. Tinha gostado de Montréal, achado a minha cara. Gostei mais ainda porque lá falava francês, e eu, idiota masoquista tinha cismado em me mudar pra um lugar onde não se falasse inglês (só pra tudo ficar ainda mais difícil). Aí fui pesquisando mais sobre a cidade e descobri o tal "Você tem um lugar no Québec!". Pronto, fechou! Era isso mesmo que eu queria. 

Resolvi passar um tempo lá pra ter certeza e aproveitar para aprender francês, caso contrário eu ia levar o triplo do tempo pra aprender a língua de Molière em terras brasilis. Voltei, apliquei pro processo, esperei, esperei, esperei, esperei mais um pouco, choraminguei pelos cantos e pelos blogs, e agora finalmente acabou. Tenho um visto de imigrante do Canadá, com todo orgulho.

A novela da imigração acabou. Com final feliz!
Em um mês chego no meu país adotivo. O que será dessa nova novela que se iniciará dia 11 de abril de 2013 ninguém sabe. Quando tempo ela vai durar? Também não sei. Só espero que dure o tempo que durar, que seja um tempo feliz.



Bisous

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

2 anos e Decision Made

Hoje faz exatos 2 anos que meu processo de imigração começou. Passados 24 meses eu ainda não estou no Canadá, mas to quase lá. Na época eu pensava que no máximo até setembro de 2012 eu estaria curtindo a vida adoidado estudando francês e procurando emprego em Montréal.
Mas já me resignei e aceitei a espera, sem não antes muitas doses de revolta ao longo do caminho. 

Agora ando muito feliz. Estou muito contente mesmo com todas as mudanças que acontecerão em minha vida. Nova cidade, novo país, novas línguas, novos amigos, novos sabores, novos cheiros, novas cores, novos desafios, novas oportunidades. 
Passo o dia todo a sonhar acordada com tudo o que está para acontecer. E isso me enche de alegria.
Ando super otimista e acredito que encontrarei coisas muito boas em meu caminho. 



Falta pouco.

Bisous!

Editado: Escrevi este post dia 22 pq sabia que os próximos dias seriam corridos, eu não teria tempo de postar dia 25 e fazia questão de fazer um post de 2 anos. Ontem à noite, quando cheguei em casa, consultei meu ecas e voila: Decision Made.
Só espero que a decisão tomada tenha sido aquela que estou aguardando há 2 anos!
Falta muito pouco.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Medical results have been received

Ça y est!
Meu e-cas voltou ontem e com status atualizado. Levou 35 dias desde que meus exames chegaram em Ottawa. Só espero que agora não leve mais 2 meses pro visto sair, porque eu tenho somente mais 49 dias pra esperar.



Allez-y consulat, allez-y!

Bisous!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cadê meu visto?

O tempo está passando, e rápido, e eu estou começando a ficar preocupada. Cadê meu visto? Aliás, cadê os vistos da galera que recebeu o combo em dezembro? Parece que o consulado resolveu deixar todo mundo de castigo e decidiu ficar com nossos passaportes ad eternum.
Eu entendo que meu visto vai atrasar mesmo por causa dos meus exames que só chegaram em Ottawa dia 15 de janeiro, mas tem gente que tá um mês na minha frente e ainda não recebeu o visto. Isso tá me deixando nervosa, ansiosa, stressada. Já comprei minha passagem pra dia 10 de abril e se o visto do povo que tá na minha frente não saiu ainda, imagina o meu...

Aliás, sobre a passagem, eu não sabia o que fazer. Se esperava o visto sair ou se arriscava uma data e pagava alteração se desse uma super zica. Como eu quero ir o quanto antes e os voos de abril já estavam sumindo do mapa (porque resolvi ir de milhas, aí já viu né... demorou muito, ficou sem) resolvi arriscar. Mas agora tá me dando frio na barriga. Acho que nem tanto pelo voo e sim pela demora infinita. O que é que tá acontecendo nesse consulado gente? Já começo a criar caraminholas achando que algo ainda pode dar errado.

Hoje eu fui checar meu e-cas e simplesmente não consegui. Acusa que eu não tenho registro algum no e-cas. Tentei três vezes e nada. Algumas pessoas dizem que o e-cas pode sumir antes dos vistos serem emitidos. Não sei se é esse o caso e também não sei o que querem dizer com "sumir". Só sei que enquanto eu não vir esses vistos saindo eu não vou sossegar.

Bisous!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

E janeiro se foi...

Não tava com muita vontade de escrever não, mas sei lá porque achei que seria bom postar sobre o que aconteceu em janeiro. Na minha cabeça sempre vem o lado negativo das coisas, a demora, as incertezas, etc, mas pensei que colocar no papel blog o que rolou de positivo seria bom pra fazer eu enxergar que as coisas não estão tão paradas quanto eu imagino que estejam.

1. Fui no HSBC no começo do mês pra abrir a tal conta canadense. Tive que dar uns puxões de orelha no meu gerente pela demora do IBC, mas depois de uns 10 dias eles entraram em contato comigo e explicaram como tudo funciona. O detalhe é que para abrir a conta eu preciso enviar a cópia do meu passaporte (e mostrar o original também para o gerente vistar)... e meu passaporte está no consulado desde dia 4 de janeiro. Ou seja, terei que esperar para concluir este processo, mas ao que tudo indica uma vez dado entrada na documentação a conta é aberta em até 10 dias.

2. Meus exames médicos finalmente ficaram prontos e foram enviados para Ottawa. Chegaram lá dia 15 e agora eu fico entrando no e-cas dia sim dia não pra ver se não teve atualização de status.

3. Várias pessoas que estavam com o passaporte preso no consulado há semanas tiveram seus vistos concedidos e agora estão felizes da vida. E eu também estou pois isso significa que o oficial dos vistos finalmente acordou do seu sono profundo e resolveu colocar a mão na massa na cola.

4. Consegui ticar mais um médico do meu check-list. Agora só falta ir ao dentista, o que vai ficar pra março provavelmente. Aliás, vi hoje numa comunidade em que participo, uma pessoa comentando que é bom levar para o Canadá seus exames prévios feitos no Brasil, pois isso já ajuda seu médico de família lá a formar seu histórico.

5. Estou separando mentalmente o que fica e o que vai. A verdade é que eu não vejo a hora de fazer logo minhas malas. Weird. Fato é que estou há 2 anos e meio sem comprar roupas e tenho vontade de jogar meu guarda-roupa inteiro no lixo. Só tem coisa velha, outdated, desbotada, cheia de bolinha e por aí vai. O único  porém é que não vou ter grana pra bancar um guarda-roupa novinho logo que chegar, então vou ter que  engolir meus trapinhos por mais um tempo. Mas os trapinhos muito muito velhos, ah, esses não vão conhecer Montréal não.

6. Passei os filmes antigos que tinha aqui em casa pro hd. E lógico que aproveitei para revê-los. Foi tão gostoso e dolorido ao mesmo tempo. É difícil pensar que se um dia eu tiver filhos eles não terão as tias para mimá-los assim com eu era mimada pela minha, não terão priminhos para brincar... mas eu sei que de alguma maneira minha família sempre se fará presente na minha vida. E isso já me conforta.

7. Reservei minha passagem. Ainda falta clicar "comprar" mas até sábado isto estará resolvido. Estava numa dúvida cruel se arriscava e comprava já, mesmo ainda não estando com o visto pronto, ou se deixava pra depois. Mas fui vendo que tava ficando difícil conseguir um vôo decente pras datas que eu queria, então resolvi arriscar. Agora seja o que Deus quiser.
Depois que eu finalizar esta etapa conto os detalhes.

Bom, fora isso não tem mais muito o que dizer. Ando mais chorosa do que nunca, sentimental demais. Ontem à noite fiquei imaginando minha despedida e comecei a chorar de novo. Às vezes penso se isso tudo vale mesmo a pena, e a única resposta que encontro é: se você não tentar você nunca irá saber. Então, alons-y!

Bisous!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Alegrias x Tristezas


Essa semana finalmente meus exames médicos chegaram em Ottawa. Dia 15 mais precisamente. Foi um alívio saber que essa etapa estava concluída e agora nada mais depende de mim, e sim da boa vontade do consulado. Meu passaporte já foi enviado no começo de janeiro, mesmo eu sabendo que ainda vai demorar semanas até os exames voltarem pro Brasil. Mas segui o protocolo, paguei a taxa e mandei tudo nos prazos exigidos.  Só que minha felicidade de ver as coisas andando durou pouco depois que vi na CBQ vários comentários de pessoas que fizeram os exames em outubro e até agora não receberam o visto. Pessoas com o passaporte preso no consulado há mais de um mês e meio. Comecei a ficar apreensiva e desconfiada tudo de novo. Tenho medo que eu não consiga seguir minha meta de ir no começo de abril se esse consulado não agilizar logo os vistos. E só de pensar em prolongar minha estada no Brasil eu tenho calafrios.

Na verdade é um sentimento muito ruim, ou uma confusão de sentimentos muito ruim. Toda vez que eu penso que em breve terei que deixar minha família aqui e seguir sozinha eu fico tão triste. É horrível. Não sei o que é pior: deixá-los ou deixá-los no Brasil. A cada dia que passa tenho mais medo desse país. Em pouco tempo vi episódios de extrema violência contra pessoas de bem e não consigo deixar de pensar que a próxima vítima pode ser eu ou algum amigo ou parente. Me entristece muito o fato de que as pessoas que eu mais amo no mundo vão ficar aqui, no meio dessa violência toda. Quero levar todos comigo mas...


Ao mesmo tempo fico feliz por estar indo embora. Não suporto mais morar aqui. Minha cidade está afundando e nada me faz crer que um dia ela vá melhorar. Não vejo a hora de começar logo uma vida nova e diferente. Vai ser muito difícil, vou sofrer, eu sei. Haverá momentos em que pensarei: “o que eu estou fazendo aqui?” Mas acredito que não exista evolução sem um pouco de sofrimento.

Bisous!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O stress me persegue ou eu persigo o stress?

Salut les gars et les filles,

Primeiro post de 2013 hoje, e eu nem pra desejar um feliz ano novo pros meus leitores. Ai, que blogueira mais relapsa eu. Fato é que janeiro já começou confuso e cheio de pequenas e grandes conturbações que o blog ficou pra escanteio. Mas ontem foi aniversário de 19 meses de federal então resolvi aparecer por aqui.

Minha vida anda tão tumultuada que eu nem to conseguindo saborear direito essa felicidade de fim de processo. Bom, fim mais ou menos, porque um mês depois de receber o combo meus exames ainda não foram enviados pra Ottawa. Isso também está me deixando nervosa, triste, desanimada, louca da vida. Tudo isso graças aos exames complementares que tive que fazer e só ficaram prontos essa semana. Agora to rezando pra que o médico não enrole ainda mais pra mandar logo meus exames pro Canadá e eu receba esse visto até meados de março. Quero ver se consigo ir na última semana de março ou primeira de abril mas tenho medo de comprar passagem, arranjar moradia, deixar tudo certo pra esta data e o visto não sair. Socorro!

Enquanto isso minha cabeça ferve com tudo o que tenho para fazer e piro com as burocracias alheias que impedem meu check list de evoluir. Aliás, falando em check list, alguém sabe me dizer sobre as vacinas quer precisamos tomar antes de ir? Li em alguns blogs que o consulado manda uma lista de vacinas quando emite o visto, mas que estas vacinas eram para as crianças. Será que adultos precisam também?
Eu sou tão relaxada com isso que nem sei onde está minha carteirinha de vacinação. Aliás nem lembro da última vez que tomei vacina.

Ainda sobre o check list, estou marcando médicos, fazendo check-ups, exames mil, começando a ver passagem, pesquisando lugares para ficar nos primeiros meses, etc. Semana passada fui no HSBC para abrir a conta canadense e meu gerente falou que o IBC (central do banco responsável por isso) ia me ligar até essa segunda feira. Adivinha se ligou?

Acho que todos estão colaborando, inclusive eu mesma, para que meu check list permaneça inteiro sem um item ticado. Há um ano e quatro meses meu check list incluia aprender a fazer sozinha os quitutes brasileiros que eu amo, aprender a usar uma furadeira, aprender a instalar, conectar e programar aparelhos eletrônicos, e por aí vai. Pergunta se eu consigo pregar um prego na parede sem destruir um, outro ou ambos. Preciso urgentemente tomar vergonha na cara!

E assim os dias vão passando e eu vou lentamente surtando. Mas faz parte do processo.

Bisous!

PS: Um ótimo 2013 pra todos vocês!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A correspondência mais esperada dos últimos meses

Oi galera,

Alegria, alegria!
Meu combo chegou! Felicidade pura.
Embora eu já meio que soubesse imaginasse que esse envelopinho pardo chegaria essa semana, ver ele alí na minha caixa de correio, segurar, abrir e ver que tá tudo certo, que o consulado já quer até que eu pague a taxa do visto, ter essa certeza nas suas mãos é outra história.

Bom, mas deixa eu contar o meu dia desde o começo pra não embaralhar as coisas.
Como eu disse no post anterior eu resolvi marcar os exames antes mesmo de estar com os pedidos em mãos pra agilizar as coisas, pois dezembro é sempre um mês caótico pra mim. Então marquei minha consulta logo cedo no consultório do Dr. João Jorge Leite porque pra mim era o mais fácil de chegar e o laboratório era pertinho, então dava pra ir a pé. A consulta foi fácil de marcar e os valores são os seguintes:
consulta: 280,00
envio via fedex: 160,00
exames de sangue e raio-x: 89,40 (paga no Lavoisier e eles mesmos enviam para o consultório quando fica pronto)

É necessário levar o RG e três fotos 3x4. Pra quem ainda não recebeu o pedido dos exames é só fazer todo o procedimento normalmente e depois enviar ao consultório o pedido.
Cheguei na hora em ponto e aguardei uns 45 minutos. No tempo que fiquei esperando observei que todas as pessoas, umas 8 no total, estavam lá fazendo exames para visto, mas de residente permanente só tinha eu, o resto do povo era pra visto de estudos/trabalho.
Outra coisa que eu percebi (veja bem, isso é só um achismo meu) é que eles esperam juntar vários exames e mandam um fedex só com vários. Já tinha lido que alguns médicos faziam isso, o que tá muito errado porque 160 reais não é nada baratinho, mas vamos fazer o que né. É o preço a se pagar e pronto.
Minha consulta foi rápida porém tive um probleminha. O médico disse que eu estava com uma arritmia no coração e ele exigiu que eu fizesse um eletro e um holter e mandasse pra ele analisar, e só depois que ele estiver com os resultados em mãos é que vai enviar os meus exames pra Ottawa. Great!
Pra mim foi uma surpresa pois nunca na minha vida médico algum disse que eu tinha arritmia ou qualquer tipo de problema cardíaco. Ele disse que pode ser uma coisa do momento, que pode não ser absolutamente nada, mas que ele quer os exames. Fiquei um pouco preocupada, mas eu já pretendia fazer um check-up no cardiologista antes de imigrar, então só vou adiantar essa etapa do meu check list.
Cheguei em casa e já marquei consulta no cardio pra semana que vem. Espero que não demore muito pra sair os resultados dos exames e que eu consiga mandar tudo ainda em dezembro. E também espero que esteja tudo certinho com meu coraçãozinho. Afinal minha saúde é o mais importante de tudo.

Bom, continuando a história... tava em casa já, saí na garagem e tá dã: o envelope pardo estava lá. Seu conteúdo: uma folha em português solicitando os exames médicos, o recibo do pagamento para a abertura do processo, 2 adesivos para colar no passaporte e uma folha em francês pedindo o pagamento da última taxa de CA $ 490,00 em até 30 dias e o envio do passaporte.



Agora mes amis é aguardar esses meus exames ficarem prontos, pagar a taxa e passar o Natal mais bittersweet dos últimos anos.
Ah, e enquanto isso eu ainda tenho que emitir um novo passaporte porque o meu está para vencer.
Aguardem cenas dos próximos capítulos!

Bisous!

domingo, 9 de dezembro de 2012

18

E lá se vai mais um mês de federal. Já são 18. Pelo menos esse mês eu tive a novidade de que meu e-cas mudou. Mas como ainda não recebi o pedido de exames não dá pra comemorar muito. Apesar disso resolvi fazer os exames antes e amanhã, se tudo der certo, eles estarão prontos. Eu ia esperar os pedidos chegarem, fazer tudo na ordem cronológica, mas dezembro é um mês caótico, aliás, pra mim dezembro é o pior mês do ano, poderia não existir que nem faria falta. Enfim, como eu fiquei com medo de não conseguir fazer os exames se deixasse pras duas últimas semanas do mês e mais medo ainda dos médicos estarem todos de férias em janeiro, resolvi fazer já e adiantar esta etapa. Amanhã eu volto aqui pra contar como foi.
Enquanto isso ando estudando um pouco, pesquisando sobre a complicada Declaração de Saída Definitiva, algumas outras burocracias, fazendo contas e mais contas, pesquisando preços de passagem, como usar minhas milhas da maneira mais eficaz possível e por aí vai.
E pra terminar to sonhando com o frio, a neve, o geladinho... to com vontade de pegar o primeiro avião pra qualquer lugar onde esteja frio agora, não precisa nem ser o Canadá. E só de pensar que eu vou emendar dois verões, que droga! Ar geladinho pra mim só daqui um ano. Olha só o que esse consulado me apronta! Se esse processo tivesse terminado em 12 meses...


Bisous!

sábado, 24 de novembro de 2012

O post mais esperado dos últimos meses

In process!


É isso. Meu e-cas mudou. Nem acreditei direito quando eu vi. Abri a página já sabendo o que eu iria encontrar: application received. Mas pra minha maravilhosa surpresa estava lá: in process.
Há vários dias eu não acessava o e-cas. Tava desanimada e sem a mínima esperança do processo mover um centímetro se quer ainda esse ano. Mas uma colega de junho me disse que o ecas dela tinha mudado essa semana e fui lá ver se o meu não tinha mudado também.
Eu estava precisando dessa notícia. Precisando de uma injeção de ânimo. Mesmo que eu não esteja morrendo de pressa pra me mudar logo, só de saber que as coisas voltaram a andar já é um super alívio. Estava com medo do consulado dar uma pausa de vários meses, como já aconteceu antes, e só retomar os processos em meados de 2013. Agora em meados de 2013 pretendo já estar curtindo a vida em Montréal!

Bom, agora é esperar os exames, porque a verdade é que o ecas não manda nada. Mas agora eu espero sorrindo! :)

Bisous!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mexidão canadense

Oi povo. Como eu estou meio preguiçosa essa semana para escrever no blog resolvi fazer este post rapidinho com um vídeo que a Julia postou no facebook. É um curta-metragem documental que mostra um pouquinho da pluralidade cultural de Montréal através da história de uma família com origens diversas.
Mas o que eu mais gostei foi o modo como estes pais estão criando e educando seus filhos. Aprovadíssimo!


Bisous!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

17

Mais um dia 9 chegou. Dia de aniversário de federal. 17 meses hoje. Um mês atrás eu estava toda empolgada porque pessoas do começo de junho, inclusive gente do dia 09/06, tinham recebido o pedido de exames. Passado um mês estou aqui me sentindo a pessoa mais azarada do planeta porque os processos pararam de ser analisados bem no meu dia. Great!
Ontem consegui finalmente ligar no consulado e as notícias não foram nada animadoras. A Maura disse que novidades pra mim só provavelmente ano que vem. Como assim????? Ela disse que pelo ritmo atual de análise eu só deva receber os pedidos no começo de 2013.
Nem sei se levo a sério a informação mas eu fiquei pensando e cheguei a seguinte conclusão: whatever! Quem manda é o consulado e eu não posso fazer nada. Tenho que aceitar as coisas que não posso mudar. Quando eu penso que o tempo tá voando, que mal vi esse ano passar eu fico tranquila e com medo ao mesmo tempo. Tranquila porque isso significa que logo logo esse pedido chega, o visto sai e tudo estará terminado. Com medo porque me parece que ainda há tanta coisa a ser feita antes da partida...
Enfim, o melhor é seguir vivendo o presente, after all it doesn't matter where we are but who we are.



Bisous!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Entrevista

Resolvi escrever este post pois finalmente vai haver nova rodada de entrevistas e quando foi a minha vez eu me lembro de ler avidamente todos os posts de todos os blogs que falavam alguma coisa sobre a bendita. Então, como nunca contei aqui como foi a minha entrevista, achei que meu relato poderia ser de alguma valia para algum aspirante a imigrante desesperado (como eu).

Québec: mentaliza essa cidade linda. Vai ficar mais fácil!

Felizmente eu tive sorte e só esperei 3 meses do dia em que enviei meus documentos para o BIQ até o dia em que apertei a mão do M. Leblanc. Minha entrevista foi dia 02 de junho de 2011, as 9 h da manhã. Como eu moro há 100 km de São Paulo, preferi ir na noite anterior e dormir lá do que correr o risco de pegar um mega congestionamento (muitas chances disso acontecer) e perder a entrevista. Lembro-me muito bem que durante o caminho eu fui escutando um monte de músicas bem animadas e mentalizando que tudo iria dar certo, que o Québec me queria, que era muito muito raro alguém não passar na entrevista e que eu tinha tudo sob controle. Jurava que não iria conseguir dormir aquela noite, mas dormi super bem. Na manhã seguinte eu cheguei no BIQ as 8h e não me deixaram entrar. Só 15 minutos antes. Fiquei na porta esperando, vendo o entra e sai das pessoas, a correria de São Paulo, uns tontos comentando que o Santos ia ganhar do Barcelona no Japão (eu não me esqueço dessa haha), e todo mundo que eu via com uma pasta entrando no prédio do BIQ eu ficava pensando se não estava lá também para a entrevista. Quando olhei no relógio já era 8h50 e eu subi. Cheguei no escritório e não havia mais ninguém lá. Sentei, esperei dois minutos e um senhor sai de uma sala e fala qualquer coisa que eu não entendi. Ele olhava para mim e fez um gesto de "aproxime-se". Eu levantei na mesma hora e fui em sua direção. Fiquei mega nervosa. O cara mal tinha aberto a boca e eu já não tinha entendido. Pensei: ferrou! Mas aí eu tentei ficar calma, pedi desculpas, disse que não tinha entendido o que ele havia falado e ele só tinha falado o meu nome. Me senti uma retardada mas tentei não deixar isso me abalar. Sentei e tentei agir o mais naturalmente possível. Ele foi bem direto e foi logo pedindo os documentos. Diferentemente de muitos eu não fiz uma mega pasta de 15 toneladas com toda a informação que eu tinha sobre o Québec. Eu só levei uma pasta com divisórias - para facilitar minha vida, com os documentos necessários dentro e algumas pesquisas que eu tinha feito (umas 5 ofertas de emprego diferentes, uns 3 anúncios de apto para alugar, um spreadsheet com todos os meus gastos para os primeiros 4 meses e só - sempre fui uma aluna meio relapsa apesar de muitos acharem que eu era CDF. Eu enganava bem, isso sim).
O primeiro documento que ele me pediu foi o passaporte. Ele viu que eu tinha passado um tempo no Canadá, perguntou onde, eu respondi Montréal, perguntou se eu tinha gostado, falei que sim por isso, aquilo e aquilo outro e ele já me pediu outro documento. Não lembro agora a sequência, mas foi algo super tranquilo. Ele pedia um documento, eu pegava na minha pastinha, ele digitava qualquer coisa no computador e devolvia o documento. Quando pediu pra ver meu comprovante de trabalho eu entreguei um calhamaço de papéis e eu percebi que ele ficou meio bem perdido. Acho que não é comum ter PJ como aplicante na categoria de travailleur qualifié. Percebi que ele olhava mas não entendia muita coisa. Eu mostrei onde estavam escritas as principais informações, ele olhou por mais uns 30 segundos e devolveu os papéis. Ele perguntou quais eram as minhas funções, do que se tratava a empresa, qual era o tamanho dela e tal, eu respondi, ele questionou algumas coisas, eu fui respondendo mas ele ia me interrompendo para perguntar outras coisas e no final eu acabei que não respondi quase nada direito.
Em seguida ele perguntou se eu falava inglês e pediu para eu responder em inglês porque eu queria morar no Québec. Voltou pro francês, pediu pra ver meu CV, pegou o lápis e começou a riscar umas coisas, fazer setas, escreveu sei lá o que (não entendi a letra!), começou a falar que no Québec é melhor colocar este tópico na frente do outro e bla bla bla, começou a me dar várias dicas de como escrever meu CV no estilo mais canadense e eu só pensei: se ele tá me dando dicas é porque c'est fini!
Ele continuou por mais uns 5 minutos e só então imprimiu o bendito CSQ, me deu uma porção de folhetos, o livrinho do Apprendre le Québec e os parabéns, é claro!

Montréal: meu sonhado novo lar

Não sei se com todo mundo foi assim, mas a minha entrevista foi super tranquila. O M. Leblanc (imagino que todos os outros entrevistadores também) fala bem pausado, dá pra entender bem e caso você não entenda alguma coisa, não há problema algum em pedir pra repetir a pergunta. Minha entrevista durou uns 35 minutos, mas em boa parte do tempo quem falou foi ele e não eu. Não sei se porque ele sabia que eu havia morado quatro meses em Montréal mas ele não me perguntou absolutamente nada sobre bairros onde eu gostaria de morar, custo de vida, quanto dinheiro eu iria levar, quanto eu iria gastar, nadica de nada. Só me perguntou brevemente que tipo de emprego eu iria procurar por lá.

Sei que é difícil não ficar nervoso numa hora tão importante mas se eu fosse dar um conselho, ele seria: lembre-se que você está lá para ser aprovado e não o contrário. O Québec quer você, precisa de você e se você foi chamado pra entrevista é porque você já está com meio pé lá. Eles só precisam checar se as informações que você forneceu são corretas e verdadeiras e precisam checar se o nível de francês/inglês que você informou é real. É lógico que algumas pessoas travam ao ficar nervosas e aí não sai mais nada. Mas se este é o seu caso treine antes. Fale sozinho. Fale com desconhecidos. Lembre-se que você está lá para ser aprovado e não reprovado. Pense positivo, agarre seu CSQ e comece a se preparar para a próxima batalha: a etapa federal!

Bonne chance à tous!
Bisous!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O que fazer quando vc está esperando... #3



Hello povo!
Como eu previa não consegui cumprir o prometido e quarta passada não participei da blogagem coletiva. Mas aqui estou eu novamente pra contar mais uma coisa que eu ando fazendo, e que você pode fazer também, enquanto espera o fim do processo.

Considerando que eu não quero (nem posso $$$) levar muita bagagem pro Québec vou ter que largar quase tudo o que eu tenho por aqui. Já me conformei que meus livros e cds vão ficar, minhas caixas com 10 anos de cartas trocadas com pen friends all over the world também, minhas agendas da época de adolescente (ainda tenho várias guardadas, quando leio é só risada) e pilhas e pilhas de álbuns de fotografia. Mas pras fotos existe solução. Estou selecionando as melhores e scanneando tudo. Haja paciência! O meu scanner é muito velho e está dando problema. Demoro um século pra scannear meia dúzia de fotos e a cada quatro tenho que parar, fechar o programa, começar do zero, porque sempre dá pau. É sofrível! Mas o lado bom é que é tão gostoso ver essas fotos de infância, relembrar esse tempo tão gostoso em que a gente era tão feliz... ah, mon enfance, tu me manque bcp!
Outra coisa que também preciso fazer (ainda não comecei mas está na lista) é copiar os dvds dos filmes das minhas festinhas de aniversário. Aqui em casa só tem o original (na verdade o original era uma fita que foi convertida pra dvd, e essa fita já nem deve mais existir). Mas fato é que eu não posso ir sem esses dvds. Quando a saudade apertar eu vou assistir e chorar, chorar. Hoje em dia quando eu os vejo sempre rio muito. Ô pirralha autoritária que eu era! Acho que ainda sou, hahaha. Queria mandar em todo mundo. Coitadas das minhas irmãs, nem apagar as velinhas do bolo do próprio aniversário delas eu deixava. Sempre ia na frente, assoprava antes e ainda me gabava de ser mais esperta. Que ser humano cruel que eu era!

Então fica a dica! #not. Odeio fica a dica!
Então se você ainda não tem suas recordações digitalizadas, separe um tempinho, ou tempão no meu caso, e mão na massa! Quando você estiver home sick elas só vão te fazer ficar ainda mais home sick. (E quem é que não gosta de ouvir música deprê quando se está deprê?).

Bisous!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O que fazer quando vc está esperando... #2

Como prometido quarta-feira é dia de blogagem coletiva para contar o que ando fazendo enquanto o processo não desenrola.



Domingo passado fiz algo que não fazia há muito muito tempo: coloquei meu biquini e fui pra piscina.
E como a vida é engraçada... tenho uma piscina no quintal de casa e posso contar nos dedos de uma só mão quantas vezes no ano eu chego perto dela. Não gosto de tomar sol, além de fazer mal eu não tenho saco pra ficar lá suando à toa, mas eu tenho certeza que vou sentir falta da piscina quando pegar uma canicule no Canadá. Vai ver que é assim mesmo: a gente só sente falta das coisas que não pode ter.
Por isso sexta-feira eu vou pra piscina de novo. E no outro fim de semana também. Vou fechar os olhos e me imaginar pisando na neve fofa e suja. E quando estiver amassando slush em Montréal eu vou lembrar da piscina e da brisa quente. É a vida!

Bisous!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sweet Sixteen


Hoje completo 16 meses de federal e com um sorriso no rosto. Não, o meu status do e-cas não mudou, mas e daí? O que importa é que aos poucos a galera de 2011 está recebendo os pedidos de exames e essa notícia é para ser muito comemorada. Só de pensar que há menos de um mês eu estava toda desesperada achando que o processo tinha ido pras cucuias. E depois o povo acha que a tal novela da Carminha é emocionante. Quer novela de verdade com direito a clímax, reviravoltas, flashbacks e tudo o mais? Vem acompanhar o processo de imigração canadense!

Semana passada quando eu li na CBQ que alguém de junho, inclusive do mesmo dia que eu, tinha tido alteração no e-cas para “in process” eu me senti estranha. Primeiro eu pulei de euforia, fiquei muito feliz e já pensei que toda essa agonia vai acabar até o fim do ano. Depois eu comecei a sentir um medo, na verdade não é medo, mas uma insegurança, sei lá. Comecei a pensar que eu não to preparada para receber o visto já, que eles enrolaram tanto que eu acabei protelando um monte de coisas que já poderiam estar sendo resolvidas, que meu francês tá uma droga, que preciso resolver tantas burocracias relacionadas ao trabalho, que não tenho tradução de nada, e mais isso, e isso e isso...

Enfim, me senti uma loser. Fiquei tanto tempo praguejando que as coisas não andavam e quando finalmente andam aí quem não tá pronta sou eu. Vê se pode uma coisa dessas. Tá certo que de uma alteração de e-cas até o visto ainda tem muito chão, mas a verdade é que agora começa a reta final.

Bom, aconteça o que acontecer esse ano é certo que não saio do Brasil. Não vou fazer nada correndo, aos trancos e barrancos, ficar surtada e desesperada pra pegar o primeiro avião que atravesse a linha do Equador, o trópico de Câncer e que chegue lá quase no círculo polar Ártico (apesar dessa ser a minha vontade).  Por enquanto vou tentar manter a calma e começar a agilizar as burocracias que possam ser adiantadas, mas to sentindo que o grosso do trabalho fica pro final mesmo. Enquanto isso é melhor eu tomar vergonha na cara e voltar a estudar francês de verdade.

Bisous!